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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Este texto é baseado no vídeo “Seminário com Joe Chiccarelli”, onde eu conto algumas das experiencias que vivi quando fiz a Marterclass ministrada pelo Joe Chiccarelli. Resolvi trazer esta experiência porque no mês passado, eu estive em São Paulo para participar da turma 2018! Pude aprender ainda mais com ele e outros profissionais do mercado da música. Se você quiser conferir as fotos, dá uma checada no nosso Instagram.

Quem é Joe Chiccarelli?

Ele é um produtor musical e engenheiro de som que trabalha com mixagem. Tem mais de 30 anos de experiência no mercado musical. Em sua carreira, ele já produziu álbuns para bandas com o mais variado repertório musical: U2, Elton John, Alanis Morissette, entre outros. Chiccarelli já recebeu 3 prêmios Grammy e também 7 vezes o Grammy Latino.

Seminário com Joe Chiccarelli

Hoje vou compartilhar minha experiência no curso da Mix With the Masters, que contou com a presença do produtor musical Joe Chiccarelli.

Vamos começar falando um pouco dos detalhes de gravação, estrutura da casa e depois passaremos por alguns dos processos que ele aplica na hora da mixagem. Como ele posiciona o microfone, como ele comprime, o que é processado diretamente na gravação, qual pré-amplificador ele utiliza, etc.

Entramos na sala de gravação e lá ele nos demonstrou todos os detalhes, incluindo onde exatamente estavam posicionados cada um dos microfones. Uma particularidade que chamou muito minha atenção, foi um microfone AKG 414 que ficou fixado na frente do bumbo, algo bem diferente.

Além disso, ele nos mostrou a utilização de um condensador no top da caixa com o diafragma pequeno. Para este condensador ele variou entre um Neumann e um AKG.

Trabalhamos então um leque de opções para gravação de voz. Ele fez alguns testes com diferentes opções de microfones para demonstrar qual deles se adaptaria melhor à proposta do repertório de música de cada artista. Durante estes testes foram utilizados novamente os microfones da Neumann, o AKG 414 e um modelo da Soyuz. Neste momento foi possível perceber a diferença de uma gravação profissional de alto nível. Ele utilizou diversos equipamentos de qualidade profissional para definir qual seria o mais apropriado para o projeto em questão.

É muito importante ter o controle de como o equipamento utilizado pode afetar o resultado, e é justamente neste ponto que Joe Chiccarelli se destaca muito. Ele consegue dialogar de forma clara com o artista, além de ter conhecimento sobre o repertório de música e estilo de cada um, facilitando assim a relação e chegando no resultado esperado.

Contrariando as tendências que dizem que o ideal é você deixar o som limpo na hora da gravação e só processar durante a pós-produção, o Joe Chiccarelli prefere já fazer o processamento de algumas faixas enquanto está gravando.

Ele utiliza por exemplo, um API 560 para processar o som que vem direto de um microfone d12 que fica dentro do Kick. Este microfone é mirado diretamente no batente e já é processado quando captado, o som então volta para a mesa. Depois disso os três canais diferentes que vem dos microfones do bumbo são processados por um único equalizador da Neve.

Utilizando um par estéreo de microfones em uma parte muito viva da sala, ele conseguiu trazer um reverbe bem grande para toda a bateria. O resultado é um som com uma ambiência diferente, com microfones bem afastados da bateria.

Já para a captação da guitarra, o Joe Chiccarelli colocava em um lugar bem mais fechado. Posicionando os microfones da Shure SM57 equidistantes ao centro da corneta e um condensador de diafragma pequeno, próximos aos autofalantes.

Estes dois microfones então eram enviados diretamente para a Neve 88R que é uma mesa de fidelidade muito alta e por não possuir um transformador de entrada, a sonoridade da mesa fica bem distinta. Sendo assim, para um repertório de música mais Rock and Roll ele precisou processar tudo durante a própria gravação, utilizando um amplificador 1176 e um distressor.

A guitarra solo no amplificador 1176 trouxe um brilho bonito, e ele utiliza esta técnica com bastante frequência, além de fazer várias compressões em paralelo dentro da própria gravação.

O mais interessante é que ambas as guitarras são gravadas na mesma faixa. Ele adiciona a faixa de guitarra com o 1176 e da guitarra “limpa”, e envia tudo diretamente para o Pro Tools.

Além de toda esta experiência de mixagem e gravação, também pude aprender muita coisa de business e fazer vários contatos bacanas. Conheci o produtor musical do último álbum do Jota Quest, além de outros profissionais da área de produção e mixagem. Podendo assim trocar diversas experiências, informações sobre o mercado e com relação às principais tendências.

Uma das coisas mais importantes que eu aprendi lá com o Joe Chiccarelli, é tentar chegar na versão final o quanto antes, evitando adiar qualquer aspecto para a pós-produção. Tudo aquilo que você já puder processar durante a própria gravação, deve ser feito. Se você já tem conhecimento e certeza de que esta etapa pode ser adiantada, já faça. Afinal, como o próprio Joe Chiccarelli diz, a mixagem começa no momento da gravação.

Sabendo para onde a sua música vai, você não deve hesitar em processar o sinal, claro que você deve afinar a bateria, posicionar microfones e cada elemento para garantir que o som saia exatamente como você quer. Mas além disso, você pode sim já equalizar, comprimir, comprimir em paralelo e até mesmo somar os canais para garantir um resultado mais próximo do que você espera para o final da produção.

Se você é um profissional de áudio e quer conhecer mais sobre o processo de mixagem de som, acesse o link e conheça nosso curso online “Por Dentro do Mix”.

Este curso é voltado para produtores, engenheiros de mixagem e artistas que querem conhecer mais sobre o processo de mixagem, além de aprender como montar seu próprio set up analógico ou digital.

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Abraços,
Alwin Monteiro

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