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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Dá mesmo para viver de produção e mixagem? Por onde começar? O que é preciso saber?

No blog post de hoje, nós daremos um panorama geral de como um produtor musical ou um engenheiro de mixagem profissional trabalha na indústria. Vamos ver também que, independente do equipamento que você tiver e do material que você usa para mixar, é possível obter bons resultados em seu home studio – logicamente, é necessário ter um equipamento de qualidade, mas não importa se ele é digital ou analógico.

Este texto é baseado no vídeo “Como Viver Sendo Produtor Musical”, disponível no canal da Ossia no Youtube.

 

A primeira coisa que você  precisa entender é a necessidade de conhecimento técnico e estético para produzir e mixar. Com isso, você vai compreender um pouco mais sobre o que exatamente é o processo de mixagem.

Conceitualmente, a mixagem nada mais é que a soma de diversos canais. Entretanto, se fosse apenas isso, bastava ter um summing analógico e o trabalho estaria pronto. Nós sabemos que a mixagem envolve outros fatores em sua concepção, como a construção do discurso da música pela forma. A depender da música, ela pode ter um discurso narrativo e uma mudança de emoção bem diferentes, tudo a partir das partes da forma.

A técnica na profissão de produtor musical

Se você quer viver de mixagem, conheça a parte técnica do áudio. Mixar não é simplesmente construir um balanço – é importante que você tenha o entendimento técnico das ferramentas de áudio para que a construção do discurso seja feita com o sucesso desejado. Além disso, é necessário ter ciência dos diversos recursos físicos relacionados ao áudio, como a acústica e a eletrônica, bem como o uso das ferramentas de áudio ao seu dispor.

Focando nessa questão técnica, vamos dar um exemplo para que você aprenda o quão significativo é manipular os equipamentos e entender os fatores físicos.

Imagine que você está numa sala com muita primeira reflexão e ressonância. O que fazer para controlá-la? Você pode colocar objetos que absorvam, como um microfone que não seja tão sensível; tentar gravar um pouco mais perto; utilizar um microfone com uma direcionalidade maior e colocar algo atrás da fonte sonora que não cause tanta reflexão; portanto, existem várias técnicas diferentes que podem ser usadas em relação aos fenômenos acústicos e à microfonação.

Obviamente, você também pode manipular o sinal em tempo real, processando ele durante a gravação. Dessa maneira, o produtor musical, muitas vezes, tem que equalizar, colocar um compressor em paralelo, ou mesmo criar uma nova dinâmica para a própria gravação a fim de que ela ganhe mais vida. E, para isso, ele precisa entender o funcionamento desses equipamentos e de fenômenos físicos.

O conhecimento de fenômenos físicos

Não é necessário saber se o plugin que você vai utilizar emula o analógico ou não – o que importa é o som do plugin, que é o que fará a diferença na sua música. Se eles são diferentes, cada um é melhor para uma ou outra função, sem a velha guerra dualidade entre analógico e digital. Afinal, ambos podem conversar entre si e oferecer o resultado desejado para sua mixagem.

A orientação é  simples e direta: escute. O que sair do seu alto-falante é o resultado. Temos exemplos de mixagens excelentes (como o álbum Brothers, de The Black Keys, ou o AM, do Arctic Monkeys), que foram feitas no in the box. E temos exemplos de outras excelentes mixagens (como o Nevermind, do Nirvana, ou o Random Access Memories, do Daft Punk), feitas totalmente no analógico.

Diferença entre o analógico e o in the box

Basicamente, temos uma diferença de workflow, ou seja, a forma como as coisas serão manipuladas no seu som; estrutura de ganho é diferente, assim como as formas como os equipamentos serão operacionalizados. Frequentemente, os engenheiros de mixagem tem dificuldade em enfrentar um universo ou o outro porque simplesmente não tem o devido conhecimento de algum deles.

Portanto, em vez de defender com unhas e dentes o analógico para vender uma certa autenticidade como forma de marketing, estudar estrutura de ganho e áudio digital é a melhor saída para trabalhar com a forma desejada. E isso nos leva para nosso próximo tópico: a estética.

Estética

Entenda que todos os aspectos citados acima são para que você alcance uma estética específica, a qual será seu resultado final. Por essa razão, não adianta tentar desmerecer um gênero ou outro. Embora haja pessoas que só escutam determinado tipo de música, ficar num discurso excludente trabalhando dentro do mercado musical acaba fazendo com que você não faça algo que tenha uma relevância cultural ou social verdadeira.

Isso nos leva para outro ponto muito importante: negócios. Se você quer trabalhar profissionalmente como produtor musical ou engenheiro de mixagem, precisa ter uma mentalidade compatível. O discurso de ser anti-negócio, de trabalhar com música só como uma forma de arte e não com um viés profissional, muitas vezes é usada apenas como estratégia de marketing de autenticidade.

A questão é que nos dias de hoje, você precisa destacar a sua identidade, o que você acrescenta àquela obra musical com a melhor qualidade possível, para um nicho específico de pessoas. Procure sempre segmentar bem seus trabalhos, o que você sabe fazer e para qual público você trabalhará.

Portanto, a mixagem é o que você leva da sua cabeça até o conjunto que irá compor sua obra final, somado com as emoções que você trará para a música conforme seu conhecimento técnico.

Pense: qual o seu modelo de negócio? Como você está vendendo a sua mixagem? O que você vai disponibilizar para as pessoas? Você pode trabalhar em conjunto com produtores ou artistas para compor a obra, ou apenas prestar seu serviço para o produtor fonográfico em si, que irá listar o que ele deseja que esteja na mixagem.

Existem vários modelos de negócio; trabalhar com jogos, publicidade, artistas… Você precisa determinar exatamente o que irá fazer, segmentando seu público para que seu modelo comercial leve seu nome para futuros mercados. Quer saber ainda mais sobre o assunto? Baixe gratuitamente o e-book: Carreiras na Produção Musical.

 

Um abraço,

Alwin Monteiro

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