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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Este texto é baseado no vídeo “MIXANDO COM PLUGINS NATIVOS “, onde eu explico algumas das técnicas que utilizo para garantir uma boa mixagem apenas usando este tipo de plugin. O vídeo e este texto vão ajudar você que quer começar a mixar e ainda não tem acesso a uma variedade muito grande de ferramentas.

 

Mixando com plugins nativos

Grande parte dos plugins, basicamente fazem o que se propõem a fazer, que é comprimir a faixa de som. Por isso muitas pessoas afirmam que não é possível obter um bom resultado mixando com plugins nativos, pois geralmente este tipo de plugin não possui uma qualidade de som bacana.

Eu até concordo que muitos deles deixam o som meio chapado e não possuem uma característica que dê uma coloração diferenciada. Por exemplo, muitos plugins de compressão não fazem nada além de comprimir. Isso pode ser excelente, mas pode deixa a desejar quando temos um approach semelhante ao universo analógico para realizar as compressões que aderem características sônicas ao sinal, como distorções harmônicas e alterações de timbre dependentes do sistema de amplificação e compressão de cada compressor.

No entanto, existem alguns plugins que podem ser utilizados para obter um som de qualidade, principalmente se usados de maneira correta.  Aqui, o importante é usar também sua criatividade, combinando os plugins com ferramentas inusitadas, como por exemplo, um sidechain de um compressor ou de um gate. Mixando com plugins nativos e combinando estas diferentes técnicas, vamos conseguir uma mixagem de qualidade e um som com punch.

Algumas pessoas afirmam ainda que não é possível ter profundidade em áudio digital utilizando plugins que não possuem processamento dedicado para isso. Mas é possível deixar seu som com uma profundidade, explorando diferentes características do material gravado. Por isso é muito importante a qualidade no momento da gravação. Garanta que todos os instrumentos estão sendo captados de maneira correta e evite que um instrumento estoure na faixa do outro. Assim, quando você estiver mixando com plugins nativos, você terá um material de melhor qualidade para trabalhar.

Claro que o processo de mixagem utilizando apenas plugins nativos contêm algumas limitações técnicas, mas isso não pode ser motivo para você desistir ou deixar de fazer uma mix legal.

A ideia aqui é que você não fique limitado apenas à ferramenta e consiga atuar com os plugins de uma forma criativa, sem ficar preso em pontos específicos. Vamos utilizar alguns deles de maneira diferente para ativar as colorações da música e fazer o seu mix ficar com mais profundidade e qualidade.

 

Conhecendo os plugins

Para acompanhar o meu processo mixando com plugins nativos, você vai precisar ver e principalmente ouvir como estou utilizando cada um deles em determinadas faixas e instrumentos. Indico que você assista ao vídeo com um fone de qualidade e de preferência estéreo, para perceber bem cada detalhe da mixagem.

Vou listar aqui algumas das opções de plugins que você provavelmente terá acesso e explicarei como cada um deles funciona. Antes de começar, quero ressaltar que quando você estiver mixando com plugins nativos, é necessário experimentar diferentes combinações para tentar chegar ao resultado esperado, não se limite ao meu processo de mixagem em si. Faça seus próprios testes e continue seu trabalho até chegar no resultado esperado!

Vamos colocar alguns exemplos de plugins muito bem conhecidos pelos usuários do Logic Pro X.

1. Logic Pro X

Neste compressor podemos ter a opção limpa sem muitas características além da própria compressão do sinal. Podemos também trabalhar com as diferentes topologias de compressores. São elas:

• Studio VCA

Compressor que possui detectores com parametrização do Threshold dependente da tensão elétrica com circuito do tipo solid state, placas de circuito mais modernas. Este compressor emula o Focus Rite Red 3 que é conhecido por manter o som limpo, mesmo depois de comprimido ao extremo. O Studio VCA consegue emular bem estas características e funciona especialmente bem em vocais a baixos, deixando o som limpo.

• Studio FET

Uma emulação do moderno 1176 revisão F com a compressão típica de um FET, muito rápida e com uma distorção harmônica que não é tão dura, mas com um corpo de médios graves. Sua principal característica é trazer o som “para frente” da mix, e por isso é utilizado para destacar um instrumento específico ou até mesmo a voz.

• Classic VCA

Neste modo o compressor emula um dbx – 160 com certa distorção harmônica total e com release dependente da intensidade do material base. Com algumas características “vintage” o Classic VCA é uma boa opção para trazer mais peso para o instrumento escolhido e adicionar um estilo diferenciado.

• Vintage VCA

Este modo emula o SSL BUS compressor com o circuito também de VCA que surgiu na década de 80 e foi extensivamente aplicado em diferentes consoles da própria SSL. Ele pode ser utilizado para adicionar mais “punch” em bateria e também deixar a música mais cheia.

• Vintage FET

Também são compressores com transistores de efeito de campo. São compressores que possuem a característica de ter um attack muito rápido e por isso podem adicionar mais energia na música, além de destacar o instrumento em questão.

• Vintage Opto

Modo que simula a distorção harmônica e o knee suave do compressor de circuito óptico clássico LA2A. Diferente da versão original, a versão simulada permite controlar a compressão do attack release e várias características impossíveis de serem controladas no dispositivo original. Sua principal utilização é para tratamento de voz, mas ele também pode ser utilizado em outros instrumentos trazendo uma pegada mais suave.

Estas foram algumas das opções que podem ser utilizadas quando você estiver mixando com plugins nativos. Além de conhecer bem os diferentes plugins de seu digital audio work station, é essencial estudar sobre a história da música e como funcionam os diferentes compressores e plugins. Com o conhecimento adequado sobre estes temas, você vai conseguir fazer uma boa mixagem independente do equipamento disponível.

Outros digital audio workstations também possuem plugins que simulam diferentes dispositivos tradicionais. Vou colocar algumas destas opções bacanas na lista abaixo dividindo por software.

2. Studio One

Fat Channel

Emulações dos seguintes periféricos se encontram neste plugin em sua versão nativa do Studio One:

  1. Neve 1081
  2. LA2A
  3. 1176 F
  4. Pultec EQP 1A
  5. VT1 Equalizer -> Presonus ADL 700 channel Strip
  6. VT1 Compressor -> Presonus ADL 700 Channel Strip
  7. RC 500 Equalizer  -> VC 500 channel Strip
  8. RC 500 Compressor -> VC 500 FET compressor channel Strip

 

Pro Tools

O pro tools possui vários plugins nativos que possuem essas características. Um clássico é o BF76, mais uma emulação do FET 1176.

Não esqueça de que quando você estiver mixando com plugins nativos, a experimentação é muito importante, portanto teste cada uma das opções e se familiarize com cada um dos efeitos antes de começar o seu mix. A prática o levará a uma mixagem de alto nível! Não se sinta restrito por trabalhar apenas com ferramentas nativas!

 

Conclusão

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Ótimas mixagens! Grande abraço!

Alwin Monteiro

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