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Esse texto foi baseado no vídeo “The Weeknd – Can’t Feel My Face: Por Trás dos Grandes Álbuns #4”. Nele, você conhece alguns efeitos aplicados, a forma como a música foi gravada e vários outros aspectos relacionados à assinatura do artista.

E aí galera! Tudo beleza? No texto de hoje, vou falar sobre a produção da música “Can’t Feel My Face”, do The Weekend. Basicamente a gente vai entender como foi feita a produção e como as coisas foram colocadas direitinho na mixagem.

Introdução da música

O The Weeknd trabalha bastante com alguns aspectos específicos, como escala pentatônica, uns saltos de quarta e quinta, que não estão tão evidentes nessa música. Até porque, foi composta pelo produtor Max Martin.

A música traz uma abertura antes mesmo da introdução, que é basicamente um som de drum machine, com um chimbal bem fake.

Logo na voz, a gente percebe que tem bastante elemento pop nessa mixagem do The Weeknd. Isso demonstra também uma característica de resposta de frequência e de compressão natural de um microfone chamado SM7, da Sure, o mesmo que o Michael Jackson usava para gravar.

Há aqui um delay de ¼, que está saindo no próprio reverb de hall. Tem ainda um pre-delay nesse reverb para que ele fique sincronizado com o delay de ¼ já insertado.

Esse fenômeno é muito comum quando você está tratando da introdução de um pop, quando você tem uma ambiência tão grande e uma sensação de começo de uma história. Nesse álbum, Beauty Behind the Madness, há muita ambiência e contação de história, já que as músicas se conectam umas às outras – e essas ambiências são usadas em diversos momentos.

Sintetizadores

Nessa música, os sintetizadores vão ser uma composição de vários pads e outras coisas. Na introdução tem um sworth, um piano com um LFO: low pass filter bem claro e praticamente sem ataque, provavelmente com um transient shaper ou um com um controlador de envelope – ele está só com as frequências mais graves.

Tem ainda um outro lead e um pluck atrás. Junto com o piano, entra um pad com LFO. Tem ainda cordas e um baixo, uma composição de timbres com funções diferentes, mas, dentro da perspectiva de arranjo, têm uma função única. 

Truques de edição

Na cabeça desse verso entra um baixo com delay, uma coisa não muito comum. O baixo está na mesma tercina que estava o pad lá de baixo, isso é muito importante: quando você utiliza efeitos de atraso, se você tem algum que complementa a característica do outro – no caso, esse que tem função rítmica e harmônica -, ele precisa ser complementado pelo delay do outro pad.

Depois do verso, que estava com delay e com um reverb de hall, muda para um slap delay, uma imagem estéreo. Ele entra com dois atrasos em tercina e um com ¼ de tempo, e você diminui muito o reverb.

A repetição está filtrada e com um pouco de saturação harmônica, trazendo um corpo para que não ocupe o mesmo espaço da voz original. Não só volume, mas também timbre e resposta de frequência.

Quando entra no trecho “I can’t feel my face when I’m with you”, ele usa a mesma melodia e faz uma transposição dela, mudando a afinação em alguns cents e as vozes ficaram separadas e abertas. Dá para fazer isso pelo Antares Autotune ou por outras ferramentas.

Além dessa duplicação de vozes com efeito de pitch, tem uma outra que entra uma oitava acima.

Samples, percussão e “extras”

Nessa mesma parte entra uma percussão, que já estava dando indícios de que ia entrar bem forte por conta do plate reverb que é usado nessa caixa, além dos snaps.

Nessa mixagem do The Weeknd, alguns samples são manipulados com variações de velocidade e do filtro. Quando você tem uma intensidade muito grande da informação médium (velocity muito alto), esse filtro é aplicado. Algumas caixas ficam um pouco mais graves, e outras mais agudas.

No baixo, tem um pad que entra somando. Por isso que eles estão até no mesmo stem printado, pois esses stems são provavelmente oriundos da própria mixagem. Então você já tinha a soma de vários canais pós-mixagem.

Há ainda outras vozes e ruídos, que o engenheiro de mixagem chama de “extras”. Os ruídos são uma simulação de vinil e trazem uma rítmica muito interessante, enquanto as outras vozes são as próprias vozes da canção sampleadas e colocadas em partes interessantes da produção. Isso é muito estética Michael Jackson.

Tem também uma disco guitar, que tem a ideia de trazer um pouco dessa coisa dançante. Ela não tem o ataque, porque foi provavelmente aplicada alguma compressão ou um processador de dinâmica ainda mais drástico, como o transient shaper. Há ainda um slap delay.

O timing é muito parecido com o vinil girando e com as vozes sampleadas.

Galera, é isso aí. Dêem uma ouvida nessa música que eu tenho certeza de que vocês vão achar várias coisas muito bacanas nessa mixagem do The Weeknd.

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