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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Hoje eu vou falar sobre uma ferramenta muito bacana, o template de produção in the box. Trabalharemos aqui, exclusivamente, com instrumentos virtuais, ou seja, não é um template de produção que vai incluir pessoas gravando em estúdio ou outras situações onde a pessoa tem que reunir músicos, acertar microfones e gravar com várias frentes – ele não será voltado pra isso.

Então, para você que está gravando instrumentos virtuais em casa; que está gravando guitarra direto em linha, ou colocando o microfone na frente do amplificador com uma DI em paralelo e assim por diante, vai ser muito útil.

Texto baseado no vídeo “Template de Produção”, disponível no canal da OSSIA no Youtube.

Iniciando o processo

Eu comecei ajustando acertadamente quais vão ser meus instrumentos virtuais para cada coisa. Para iniciar, utilizei o Impact, uma drum machine, e logo de cara já tem uma questão bem importante para se explicar. Uma coisa que vejo o pessoal fazendo com menos eficiência é a organização dos samples. É importante que estejam todos os samples de mesmo instrumento, como por exemplo o chimbal, na mesma pasta, para que se possa trocar cada sample de acordo com o que se coloca no Impact.

Portanto, é interessante que se nomeie os pads já anteriormente para que simplesmente se “arraste” o sample de sua escolha diretamente das pastas previamente organizadas. Aí, com um simples clique no botão “next”, nos guiamos para o próximo. Isso torna a seleção das amostras muito mais fluida, e muito dificilmente você vai se perder na objetividade da preparação de sua mixagem de músicas.

Quer saber mais sobre a mixagem in the box? Baixe o e-book “Bits e a Mixagem In The Box, disponível no site da OSSIA.

Utilizando os samples

Depois da drum machine, temos também um pacote de sampler, ou seja, instrumentos virtuais que tem bancos de samples. No exemplo, usamos o Kontakt com o Abbey Road 60s Drums, que é uma opção que simula uma bateria real, e todas as saídas dele (kick, tom, snare, etc) estão direcionadas na mixer. Então, na minha mixagem de músicas, se eu quiser fazer uma levada de bateria um pouco mais realista, consigo tocar no controlador e ter uma noção razoável do que é o som.

Aí o mais importante disso tudo é fazer com que cada canal dessas peças de bateria saia separadamente na mixer. Dessa forma, eu posso dar print e ter stems pra mixagem com canais separados. Basicamente, tenho todos os sinais em paralelo e eles sairão agrupados num único bus do bumbo e da caixa. Portanto, aqui já foi decidido que terei aquele som de caixa, com o compressor em paralelo somado ao sinal não processado, que sairá no microfone de sala e no overhead, pois o próprio sampler já garante a simulação real da bateria.

Esse mesmo tipo de processamento, simulando um pré-amplificador, é possível fazer com qualquer instrumento virtual. Dessa forma, você tem uma coisa mais aproximada do processamento original que você faria numa sessão de gravação no estúdio. Isso traz mais realismo, mais punch e mais beleza para o som no fim das contas, se escolhidas as ferramentas adequadas para a mixagem de músicas.

Vocês podem ver no exemplo, que também temos uma bateria mais moderna – Abbey Road Modern Drums. Todas essas baterias que temos, colocamos em apenas um canal mid, para que eu possa controlar toda a linha dela no arranjo em apenas um canal. Mas, logicamente, a saída de áudio está independente em diversos canais.

A partir do momento que está tudo dentro do mesmo “time”, já dá pra se ter uma noção de que o som está mais de acordo com o desejado, justamente por conta dos processamentos do NAV e da compressão em paralelo. A ideia é que, no processo criativo, você já tenha uma ideia do som final, de onde você quer chegar.

Onde se encaixam os sintetizadores?

Além disso, na aba de instrumentos, foram aplicados diversos sintetizadores: Moog Bass, 80s Attack Bass, Distortion Bass, etc. Eles são sintetizadores que serão utilizados para funções diferentes a depender da estética da música. A presença deles não implica que eles serão usados da mesma forma em todas as possíveis aplicações desse template. É simplesmente para que você tenha a ferramenta à sua disposição para quando for usá-la.

No exemplo, podemos ver que temos o Moog Bass, da Massive, que pode ser uma opção para o baixo de uma música pop, por exemplo. Uma outra opção pode ser um baixo gravado, e, por isso, já deixamos à disposição um canal com GuitarRig insertado com o amplificador do baixo. Nele, estamos usando três microfones diferentes que é como eu, Alwin, gosto de captar o próprio amp de baixo. Então, isso já dá uma noção do que será simulado dentro do processo in the box no computador.

Também usamos, no exemplo, diversos inserts no piano, o PSP Echo, Fab Filter e assim por diante. Nas guitarras, gosto de utilizar os equalizadores API550B e SSL4000E. Dá para se ter uma noção de que a gente vai processar sim o sinal, para ficar mais próximo do resultado final. Nos vocais, teremos simplesmente um PuigTech, que dará uma cor interessante para o sinal, simulando uma válvula 12AX7. Ele tem um clipper também, ou seja, dá uma pequena saturação no sinal para trazer um pouco mais de presença e distorção harmônica na voz.

Em resumo, organize-se e saiba onde quer chegar

É muito importante deixar as pastas dos samples bem organizadas, processar o sinal com a estrutura de ganho adequada para poder fazer stems para a mixagem de músicas, e também se pode ter a independência de trabalhar com reverb em paralelo, compressão em paralelo e assim por diante, reunindo em outro bus se você preferir. Assim, você tem um leque de opções com todas as ferramentas nas mãos para poder selecionar exatamente o que você quer dentro do seu workflow.

Isso é interessante porque você não perde seu tempo tentando montar uma forma de juntar as ideias, mas simplesmente vai, pluga a guitarra, toca e tudo funciona; chama o cantor para interpretar o som e tudo funciona. Então, deixe todas as ferramentas em mãos para poder utilizar sua criatividade da melhor forma e não ficar pensando demais.

Abraços,

Alwin Monteiro.

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