BLOG OSSIA

Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

No texto de hoje, vou mostrar a vocês uma maneira de obter resultados interessantes com apenas uma track estéreo de bateria. É bastante útil para quando você não receber todas as peças da microfonação separadas, precisando, assim, construir a mixagem da bateria em cima de uma track estéreo de dois sinais apenas.

Texto baseado no vídeo “MIXAGEM DE BATERIA – Trabalhando com uma Track (sinal stereo)“, disponível no canal da Ossia no Youtube:

 

A importância da gravação

Em primeiro lugar, precisamos entender que essa bateria deve ser muito bem gravada. O material de input precisa, invariavelmente, estar com boa qualidade, para que você possa pegar essa track estéreo e trabalhar apenas com ela (para entender um pouco melhor de como distribuir os elementos de gravação em seu arranjo musical, dê uma olhada neste texto). Tenho aqui, por exemplo, o que chamei de “sala” da bateria, e que na verdade, não é um sala – é uma soma de toda a captação do instrumento em um único canal.

No sinal original da bateria, temos uma característica bem importante. Eu tenho o canal original da bateria, um canal em paralelo, que está recebendo o sinal da mesma, e ele tem um expander. Esse expander vai ter uma função muito importante: conseguir tirar um pouco do material que tem menos dinâmica na bateria, ou seja, os pratos e a ambiência, e deixar mais para frente o kick e a caixa. Isso facilita bastante o processo.

Expander

Mas o que é um expander? Com uma função semelhante ao gate, o expander faz com que tenhamos uma diferença dinâmica ainda maior entre os sinais mais fracos e os sinais mais fortes aplicando uma redução de ganho nos sinais que não ultrapassam o limite do threshold de acordo com os tempos de attack e release.

Como dá para perceber nesse exemplo, às vezes o som adquire um poucos dos aspectos de sala e tudo mais, mas o resultado fica bem bacana. Se a gente tirar o expander e tirar a compressão em paralelo, vou ficar com menos sinal de bumbo e caixa, pelo simples fato de que não vou mais separar o sinal deles do restante da bateria.

Podemos perceber que apenas os sinais mais fortes (o bumbo e a caixa) passam desse threshold do expander. E isso faz com que eu consiga trazer somente eles à tona, e depois com a compressão em paralelo, trago eles mais para frente, destacando-os do restante da bateria. A partir disso, eu posso manipulá-los de forma que eles tenham mais punch na música.

Além disso, eu adicionei um Scheps, onde dou mais low-end, faço um high pass filter em 50 hZ e a ressonância do bumbo em 60 hZ, para trazer esse efeito. Ele também tem mid e side, conseguindo processar os sinais do meio e das laterais separadamente no sinal estéreo. E assim, ao trazer a caixa com mais punch no meio e nos lados, consegue cortar 80 hZ, trazendo um pouco mais dos pratos, sem que eles estejam tão presentes em nível de dinâmica, mas com o brilho deles ganhando espaço. Na soma, isso complementa bem.

Estética na mixagem de bateria

A partir da estética que você busca, a compressão da bateria também é uma opção. Nesse caso utilizado no vídeo, é usada uma compressão em paralelo para trabalhar com uma track só, mas existem vários plugins diferentes para comprimir a bateria que podem trazer uma característica nova à sua track. Não esqueça de conhecer ao máximo as características dos plugins que você usa.

Para facilitar sua vida e encontrar com mais facilmente a estrutura rítmica que você procura com a bateria, fique atento a este texto: “Como comprimir bateria?” disponível aqui no blog da Ossia.

E aí, conseguiu ter uma noção de como trabalhar na bateria com uma track só? Fique atento ao blog da OSSIA, pois traremos cada vez mais dicas de como melhorar a sua produção na mixagem de som. Uma delas é o eBook: Filtros e Equalizadores, que você pode baixar gratuitamente.

Um abraço,
Alwin Monteiro

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