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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Este texto foi escrito com base no vídeo “Entrevista com Giba Moojen do canal Nossa Toca” e faz parte de uma série de entrevistas “crosstalk” feitas pelo Alwin Monteiro. O entrevistado de hoje é o produtor Giba Moojen.

O Giba é um profissional experiente, intuitivo, tem conhecimento e produz com base no seu workflow do dia a dia. Algumas ações já estão naturais no seu trabalho de mixagem. Ele colocou em pauta temas como microfonação, modelo de negócios do Nossa Toca e muito mais. Você pode assistir ao vídeo abaixo ou conferir os principais trechos transcritos no post.

Entrevista com Giba Moojen

 

Alwin Monteiro (OSSIA): Para começar nossa entrevista, Giba, queria saber um pouco da sua história. Como você entrou no mundo da música, de onde veio a ideia do Nossa Toca…?
Giba Moojen: A história é longa. Eu comecei aos sete anos, tocando piano. Um dia eu estava em casa, olhando uma revistinha de teclado e perguntei pra minha mãe o que era aquilo ali. A partir daí, ela me colocou na aula de teclado, depois passei para o piano, e aos quinze anos fui aprender bateria.

Depois de uns anos baixei um programa chamado Fruity Loops, comecei a mexer, fui entendendo mais ou menos como funcionava e comecei a reproduzir as músicas pelo programa. Depois, fui fazendo umas batidas de hip hop, fui fuçando. Eu lembro que peguei uma saída do computador, liguei um tape deck, ia fazendo uma coisa sobre a outra. Ali foi minha primeira produção, ainda quando moleque.

Nessa época, eu tinha amigos que se interessaram por vídeo, e um deles foi contratado para fazer um filme institucional de uma empresa e me chamou pra fazer a trilha. A gente deu o orçamento para a empresa, comprou a interface e fizemos a primeira trilha. Desde então, são mais de 20 anos trabalhando juntos e atualmente, inclusive, ela é um dos sócios do Nossa Toca.

Minha história começou com a trilha sonora. Depois fiz jingle e comecei a ser chamado para produzir as músicas de algumas bandas. Nessa época, eu produzia a banda Nego Joe e tivemos a oportunidade de produzir com o Juliano Cortouis, um produtor renomado do Rio de Janeiro, e ele me ensinou muita coisa. A partir disso, comecei a produzir também os shows da banda e fui me aprimorando cada vez mais.

Fiz faculdade de música, bacharelado em bateria e percussão; estudei online na Berklee, no curso de mixagem e masterização; fiz também o curso deles de audição crítica, para ouvir frequência e tal, depois é muito estudo e dedicação.

 

OSSIA: E quanto ao Nossa Toca, de onde veio a ideia? Vocês pensaram num modelo de negócio? Como surgiu essa proposta?
Giba Moojen: Eu gravei por muito tempo as paródias do Galo Frito, um dos maiores canais do Youtube. Conversando com o pessoal do canal, eles indicaram para que a gente criasse um canal de música. Aí eu pensei: “eu tenho o estúdio e ele tem as artimanhas de como lidar com o Youtube”. Chamei o Léo e o Rodrigo, com quem sempre trabalhei, unimos as forças e assim foi feito o Nossa Toca.

Sempre tivemos a intenção de, primeiro: ser feliz fazendo o que a gente ama. Segundo, que os resultados dos vídeos dessem um retorno financeiro. Aí nós unimos o que a gente gosta com as nossas intenções com o canal.

 

OSSIA: A relação das pessoas com a inscrição, visualização e os outros indicadores, vão mudando. Como vocês fazem para conseguir tirar o melhor daquilo, conseguir acompanhar essa estrutura funcionando e planejar os próximos conteúdos?
GM: A gente busca se informar bastante com o pessoal do Youtube mesmo. Sempre que podemos, vamos até São Paulo ou Rio de Janeiro, conversamos com o pessoal do Youtube Space, comparecemos nos cursos que eles fazem, e vamos nos norteando a partir disso.

E também a intuição é algo que influencia bastante nesses momentos. Você vai sentindo, aí vem uma ideia, você investe nela e ela acaba dando certo. Hoje em dia, no nosso caso, a gente fez só uma vez a música autoral, que foi um insight que tivemos, e criamos um clipe a partir de uma música composta com convidados. Foi o vídeo que mais bombou. Quando criamos o canal, eu nem imaginava fazer isso, ela veio no meio do caminho e abriu muitas portas pra gente.

 

OSSIA: Como é o processo de gravação antes de ir ao estúdio?
GM: A gente faz um arranjo no primeiro dia com os artistas. A grande maioria das coisas a gente programa mesmo. Aí no segundo dia a gente grava, tudo valendo. Nós não gravamos no dia derradeiro tudo ao vivo por falta de recurso, mas a mentalidade é de que se um dia nos chamarem para gravar ao vivo, vai ser possível fazer. Teríamos que ter muita câmera, muito ensaio e muita coordenação. Eu gostaria que no futuro isso acontecesse, mas no momento é inviável.

 

OSSIA: Qual microfone você usa para gravar o violão? Como é a sua microfonação?
GM: A gente teve a felicidade de virar endorser da Rode, e eles mandaram mais de 20kg de microfone pra gente (risos). Essa foi uma vitória que a Toca nos trouxe.

Para gravar a voz, eu uso bastante o K2, um microfone valvulado. Depende do timbre da voz que vai ser gravada, mas na minha opinião, esse pega um agudo um pouco diferente dos demais valvulados. Temos o NTK, também valvulado, mas que não tem o seletor de polaridade, ao contrário do K2. Ultimamente, ele vem sempre sendo minha primeira escolha para gravar as vozes.

Mas eu sempre testo, peço para a pessoa dar uma passada com diferentes microfones, para ver com qual ele se encaixa mais.

 

OSSIA: E como você posiciona eles? É em algum lugar específico da sala?
GM: Como a sala é bem morta, com pouca primeira reflexão, eu não sinto necessidade de posicionar os microfones num lugar ou outro, porque no fim, todos ficarão muito parecidos. Como a gente não tem aquário nem nada, eu prefiro posicionar a pessoa o mais próximo de mim possível.

O que me traz bons resultados é o jeito que eu lido com a pessoa na hora que ela está gravando. Eu penso: como eu vou trazer o melhor dela? Aí depois de umas dez passadas eu peço “agora grava uma bem suave” ou “agora grava imaginando que você ‘tá’ num estádio de futebol” e por aí vai.

Claro, tem vocalistas e vocalistas. Às vezes eu mudo pouquíssimo, mas geralmente eu seleciono muito e vou editando.

 

OSSIA: E o que você usa pra gravar o violão?
GM: Violão eu ‘tô’ usando o M5, que é bem parecido com o KM84. Aí eu uso dois pares casados, e quando eu vou gravar o violão, por exemplo, eu quero um instrumento só mas com um som bastante preenchido. Nessa ocasião, eu coloco esse microfone na 12ª casa, e coloco dois microfones condenser abertos na altura do ouvido. Quando vou usar isso na mixagem, dá um corpo bem interessante.

Outra técnica que eu costumo usar é que se eu vou dobrar o violão, uso a técnica Nashville. Se eu for abrir o L e o R, faço os dois violões com posicionamentos opostos, e dá uma soma bacana.

Também uso, às vezes, um microfone estéreo para dar um resultado estéreo bacana. Para prato de bateria, violão… ele é muito bom. E tem outro que é uma maravilha: o NTR, microfone de fita, que pode ser usado na guitarra ou na bateria.

O que mais? Tem o R20, que estou usando bastante no bumbo, e tem um som bem parecido com o retrovoice. É bem similar com o original, esse modelo utilizado da Rode.

Essa entrevista com Giba Moojen é parte de uma série feita pelo Alwin Monteiro com profissionais da área de produção musical. Gostou? Quer saber mais sobre mixagem? Então aproveite e confira detalhes sobre o nosso curso online Por Dentro da Mix.

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