BLOG OSSIA

Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Hoje eu começo já com uma dica importante: corrigir esta frase. Na verdade, não é em qual volume gravar, mas sim em qual intensidade. Ou seja: qual é a intensidade de sinal que eu devo enviar para o meu conversor de áudio.

Como funciona?

A mecânica é simples: você tem um pré-amplificador, que envia um sinal em nível de linha para o seu conversor A/D, isto é, conversor analógico para digital. Durante este processo, podem acontecer alguns problemas, que vão interferir na qualidade da sua gravação.

Por isso, vamos repassar cada etapa para você entender exatamente em que pontos estes problemas podem surgir.

Do som ao conversor

Parece óbvio, mas é importante ter uma visão técnica do processo da gravação. Quando o vocalista, por exemplo, está no estúdio e começa a cantar, ele emite o som, que é uma forma de energia. Ela é captada por um transdutor, o microfone, responsável por transformar essa energia, essa compressão e descompressão de moléculas, em variação da tensão elétrica.

Essa variaçãose torna o sinal elétrico de áudio e chega ao pré-amplificador, que vai elevá-lo até uma taxa entre 0,93 a 1,22 volts, em média. Todo este processo é o que chamamos de elevar um sinal em nível de microfone para nível de linha.

Este sinal é o que chega ao conversor de áudio. Cada conversor aceita a sua própria variação de nível de sinal. E é por isso que você vai ter que mandar pra ele uma determinada intensidade ou amplitude de sinal, dependendo do head room que seu pré-amplificador ou seu conversor tiverem disponíveis.

Chegando ao computador

Partindo do seu conversor, o sinal chega ao seu computador. Mas por onde ele vem?

  • Pelo Firewire;
  • pelo Thunderbolt;
  • pelo USB (2.0, 3.0 etc).

Para saber um pouco mais sobre placas de áudio e suas entradas, acesse o artigo que escrevi no nosso blog. Basta clicar aqui.

Dos três, o Thunderbolt é o mais rápido. Mas ele depende de um computador com configurações robustas e que seja compatível com as tecnologias existentes no mercado.

Neste estágio, os principais problemas que podem surgir são consequência da incompatibilidade de equipamentos. Por isso, você tem que casar a sua placa de áudio e o computador, verificando os chipsets das conexões e a compatibilidade dos hardwares em relação ao modelo de conversor que você tem ou deseja adquirir.

Entre os sintomas deste problema, cito o dither, que é um ruído constante na gravação, erros de clock e até perda de sinal. Clicando aqui, você encontra um artigo do nosso blog mostrando como escolher a placa de áudio certa para o seu estúdio.

Consulte o manual

Consulte o manual do seu equipamento. Claro que lá não está escrito em qual volume gravar sua track. Mas lá está, por exemplo, o nível de head room suportado. Também é essencial conferir a relação de sinal e ruído, ali descrita. A partir dela, você saberá exatamente os limites em que conseguirá, por exemplo, captar sons com um determinado tipo de microfone.

Ou seja: analisando o nível de captação de sinal deste microfone e o nível de ruído do seu pré-amplificador, você saberá se esta gravação será possível ou se ela terá problemas.

Gravar em 16, 24 ou 32?

Basicamente, 16, 24 e 32 são os bits da sua placa de áudio, o seu conversor. E eles significam o nível de qualidade de áudio que o conversor irá enviar após codificar o sinal analógico para digital.

Já adianto que não existem muitos conversores de 32 bits. Além de extremamente caros, são raros na indústria fonográfica e geralmente são usados somente por audiófilos muito exigentes. Quem fará este processo de conversão em 32, portanto, é o seu computador. A sua placa pode enviar um sinal com 16 bits e um range dinâmico menor ou em 24 bits e um range dinâmico maior. Basicamente, 32 bits é a forma como o computador irá calcular tudo isso e entregar um áudio digital com mais head room e a máxima precisão possível.

Por exemplo: se você fez uma gravação em 24 bits e não ultrapassou os limites do seu conversor, você pode dar um ganho aqui e ali, mexer em alguns atributos e o computador irá calcular tudo o que foi insertado no canal e corrigir todas estas estruturas de ganho e entregar um áudio digital de qualidade.

Portanto, mesmo escolhendo no seu software 32 bits de pontos flutuantes, você não terá isso na sua gravação. Terá apenas o cálculo em 32 bits para a entrega final do áudio. Durante a gravação, você terá o que foi definido no seu amplificador e no seu conversor. A dica, portanto é: grade em 24 e mixe em 32 😉

Entrada x latência

Se você já sentiu o áudio da sua gravação dar alguns picados, parecendo um canal de tv digital com sinal fraco, pode ser um sintoma de latência. Isso significa que o seu computador não está conseguindo receber, calcular e reenviar o sinal de áudio com a velocidade e a qualidade necessários.

A principal causa desse problema é a entrada de áudio utilizada. Por isso, recomendei lá em cima as portas do tipo Thunderbolt. Elas tem tecnologia e velocidade excelentes e se comunicam bem com os computadores mais modernos.

Processador do computador

O coração do seu computador é, também, vital para a sua gravação. É ele que irá receber, calcular e devolver o áudio. Por isso, ele precisa ser robusto e ter uma capacidade de processamento bastante alta. Isso irá contribuir bastante com a minimização da latência.

Neste ponto, também interferem a quantidade e a qualidade dos plugins que você usa. Lembre-se de buscar plugins que tenham headrooms maiores, ou seja, que te darão uma variabilidade dinâmica maior e, consequentemente, ajudarão na performance do seu processador. Lembre-se, também, de pesquisar plugins calibrados para -18bd, que é o padrão de áudio digital.

Espero ter ajudado, mais uma vez, com informações e dicas técnicas, que são essenciais para a qualidade das suas gravações e mixagens. E como conhecimento nunca é demais, trouxe um brinde a mais para você: é o ebook Bits e a Mixagem in the box, onde eu falo com mais profundidade sobre estas partes técnicas. Para baixá-lo, gratuitamente, basta clicar aqui.

bits-mixagem-in-the-box

Portanto, fica a dica: não pergunte em que volume gravar e sim qual a intensidade de sinal vou mandar para o meu conversor de áudio! Abraços e até a próxima.

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *