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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

No texto de hoje, falaremos sobre como um produtor musical organiza o seu trabalho. Se você é produtor e se quer realmente viver disso, precisa ter um processo com bastante organização. Quando um artista lhe procura e diz que quer ser produzido por você, como você tornará seu processo funcional? E se você é artista e vai produzir o próprio EP ou single, como se organizar? É isso que buscaremos explicar aqui.

 

 

1. A preparação

Para começar, precisamos entender muito bem todo o processo de produção fonográfica. Quem é o produtor fonográfico – ou seja, a pessoa que está investindo dinheiro para produzir esse fonograma? Quais são as obras? De quem são as composições que você produzirá o fonograma? Então, se você tem bem claro quem é a pessoa que dará a direção artística do projeto – que muitas vezes não é o produtor fonográfico -, você entenderá qual o processo envolvido para produzir esse fonograma.

Muitas vezes, há um produtor musical que vai co-produzir com você; outras, será só você e o artista. Aí, é necessário entender quais são as variáveis de comunicação e quem é o responsável pela tomada de decisão. A partir do momento que isso está compreendido, você precisa ter um contrato que aborde essa negociação. Depois, já começando a própria produção, é preciso entender como o artista se relaciona com aquelas obras e qual o momento de mercado daquele artista. Cada caso é um caso diferente, e o nicho de mercado do artista varia muito de produção para produção.

Por isso, para ver como cada obra se encaixa com a proposta do artista, é necessário ver o que está em alta na cultura popular das pessoas que escutam o determinado som. A partir disso, o público direcionado do artista estará esperando que ele lance um trabalho com algumas características relacionadas ao que ganha espaço na atualidade. Não precisa ser exatamente igual – sempre é interessante trazer inovações, mas ao mesmo tempo se comunicar com essa cultura popular, para gerar empatia e comunicação com as pessoas.

 

2. A pré-produção

Você já sai com uma diretriz geral que muitas vezes vem de uma gravadora ou uma empresa de licenciamento, que fazem um briefing e mandam isso a você, que precisa pegar isso tudo e decidir como fazer a música – e essa é a segunda etapa do processo de produção fonográfica.

O foco da pré-produção é conseguir dar toda a orientação estética que as músicas precisam ter e possuir os arranjos feitos. Portanto, você saberá como você precisa gravar, quando você vai gravar, se tem de contratar algum músico ou não, qual o orçamento que possui e assim por diante. Se você estiver trabalhando com uma banda, por exemplo, seria interessante acompanhar os ensaios para poder dar toques de performance e arranjo aos músicos.

Muitas vezes, o artista chega com uma demo para a pré-produção – e cabe a você analisar essa demo para poder se comunicar com a ideia do artista. Ela tem vantagens e desvantagens: o lado bom é que a orientação estética já chega um pouco mais aproximada do arranjo. Já o lado ruim é a limitação de seu trabalho – o artista não vai querer se distanciar muito do arranjo da demo.

Por isso, nessa fase de pré-produção é muito importante que se tenha um documento de diretrizes estéticas do que se procura para aquela música. É crucial para que você justifique suas ações dentro da produção e a tomada de decisão para o foco estabelecido anteriormente. Com isso, você evita que se necessite chamar músicos de última hora, mudanças não planejadas ou apertos no orçamento que só complicam a produção do seu fonograma. Para trabalhar melhor com seus arranjos, é preciso que você seja muito versátil e entenda de várias coisas diferentes.

Você já orientou a performance; já passou o arranjo; já estudou a demo do artista e você já pensou como será feita a gravação. Essa parte é muito importante, pois você poderá orientar como vai captar, qual estúdio será usado, como cada sala e cada variável de processamento de sinal será utilizada na própria gravação. Você pode já ter todo esse guideline na pré-produção.

 

3. A gravação

Finalizada a pré-produção, é chegada a hora da gravação. E aí, o produtor musical tem uma função muito importante. Ele precisa entender tanto de aspectos técnicos do áudio, para orientar o posicionamento de microfones, escolher pré-amplificadores e resolver problemas que possam aparecer; quanto (mais importante ainda que a função anterior) passar a orientação para o intérprete. O performer precisa se sentir confortável e ter a orientação certa no momento certo para fazer seu trabalho da melhor maneira.

É necessário estar preparado para qualquer imprevisto também que possa aparecer na gravação e como lidar com a solução de problemas não esperados no seu guideline. São inúmeras possíveis variáveis que podem mudar sua produção fonográfica e fazer as coisas correrem um pouco diferentes de sua pré-produção.

 

4. A edição

Uma vez gravado, você está com o projeto todo montado, com vários tracks. E vem a parte de edição. Na edição in the box, com áudio digital, é muito mais prático para o produtor selecionar o que pretende utilizar no seu fonograma; pode-se fazer um comping, que é uma seleção dos takes que os artistas tocaram, dar uma ajustada no tempo, arrumar clip gain para ajustar a dinâmica, e assim por diante.

Às vezes, o performer vai dar uma desafinada. A partir disso, você precisa entender qual a melhor ferramenta e como usá-la de forma adequada de acordo com a estética da música. Então, depois de afinar, corrigir tempo e alterar o clip gain, deixando tudo nivelado, seguindo o planejado esteticamente para seu fonograma.

Quer saber mais sobre o mercado musical? Entenda como funciona e qual a melhor forma de lançar sua produção fonográfica com esse infográfico gratuito.

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5. A preparação dos stems

Após a edição, vamos para nosso quinto tópico: a preparação dos stems. Basicamente, é a preparação dos arquivos que serão mixados. É uma revisão final dos arquivos de áudio, se algum deles possui algum problema que precisa ser alterado antes da mixagem. Se você é o produtor musical, você precisará supervisionar se tudo está direitinho antes mesmo de exportar os stems. Caso não seja feito, o engenheiro de mixagem precisará fazer, ou então contratar um assistente para tal.

Além disso, a preparação dos stems também consiste em colocar todos os stems numa signal chain, ou seja, uma cadeia de processamento de sinal. O engenheiro de mixagem vai chegar com o signal chain já montado e vai poder focar na parte criativa da mixagem.

 

6. A mixagem

Na mixagem, não temos somente o arquivo estéreo da música. Se quiser que o artista toque na televisão, será preciso fazer uma mix especial para a televisão; também será necessário uma mix apenas com os stems impressos separadamente, para que eles possam ser abertos e transformados num playback, servindo para shows ou outras ocasiões.

Depois de toda a mixagem feita, printada e enviada para o responsável pela produção fonográfica, serão feitas as anotações. Elas carregam consigo as mudanças que o artista ou o produtor fonográfico julga serem necessárias para melhorar a qualidade da música. Aí, o engenheiro de mixagem faz o recall, ou seja, as alterações solicitadas, entregando a mixagem desejada pelo produtor. E nisso, chegamos na sétima etapa.

 

7. A masterização

A masterização é um pouco complexa. Ela já foi simplesmente uma transferência de mídia, mas, atualmente, com as diferentes plataformas, temos uma master diferente para cada tipo de loudness – compactação de dados na decodificação e codificação de arquivos. Então o engenheiro de masterização terá que adequar àquela plataforma específica, tendo diferentes saídas de masterização para diferentes funções.

E, com isso, está produzido seu fonograma. Esse foi o começo de seu trabalho. Agora, você terá que fazer o marketing, vender, e todas as atividades que estão relacionadas com o mercado musical. Boa sorte, muito estudo e muita força de vontade.

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