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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Este artigo é para quem acha que já está mixando muito bem ou que acredita que será um excelente produtor musical fazendo apenas alguns trabalhos esporádicos de mixagem. Já começo desiludindo-o deste sonho, afinal não há outra forma de se ganhar experiência na prática de mixagem sem fazer o que?… mixar, é claro!

A primeira dica que eu dou (e a mais clichê de todas) é: faça o máximo de mixagens que puder. Treine, mixe, remixe, faça para vários artistas, vários estilos musicais. Se você acha que do alto das suas cento e poucas mixagens profissionais você já está bom no negócio, sinto dizer: não está. A aprendizagem é um processo contínuo e com a prática de mixagem é exatamente a mesma coisa. Cada trabalho deve ser melhor do que o anterior. O nível tem que se elevar continuamente.

Também é natural, pela própria exigência que temos conosco mesmo, que a gente não goste tanto de uma mixagem feita a alguns meses atrás, por exemplo. Essa exigência também nos ajuda a querer sempre um algo a mais de cada trabalho. Por isso, desenvolvemos um curso chamado Por dentro da mix, que está sendo reformulado para ficar ainda mais completo pra você, e em breve será disponibilizado online!

Base teórica

A segunda dica que eu sempre dou é estudar. Tenha uma base teórica, tanto sobre o processo de mixagem, em si, como sobre instrumentos e tecnologias de áudio. Certamente, o produtor que tem esta base teórica apurada será muito mais capaz de sair da mixagem mais básica e alçar voos para os arranjos mais elaborados.

Somente conhecendo, na teoria, as funcionalidades e dos compressores e equalizadores você conseguirá aplicá-los na prática, por exemplo.

Passe à diante

A prática de mixagem também inclui errar. Não recomendo ficar remoendo a mesma track a vida inteira, tentando consertá-la ou melhorá-la infinitamente. Os erros acontecem e servem para você ganhar experiência e referência. Por isso, uma dica importante que eu dou é: passe à diante. Siga em frente. Se essa track não rolou, se você chegou no seu limite com ela, melhor deixá-la e começar uma nova. Isso não é nenhum demérito. Ao contrário, é um ótimo sinal de que você está ciente das suas capacidades e limitações.

É muito importante que você consiga fazer um grande número de mixagens dentro de um ano. É desta forma que o seu trabalho ganha corpo, ganha musculatura e, assim, fica cada vez mais fácil enxergar que aquela mixagem do mês passado ficou boa, mas poderia ter ficado melhor. Logo, as próximas serão cada vez melhores também.

A prática de mixagem deve ser plural

Em outros textos, debatemos sobre a diferença entre ser um produtor musical especializado num único estilo ou trabalhar com vários gêneros musicais diferentes. Para este caso, digo que grande parte da minha experiência com prática de mixagem vem, justamente, da minha variedade de trabalhos. Confira aqui um dos textos que abordam o tema.

Com certeza, a sua produção será muito mais rica se você for plural, eclético e aprender a trabalhar com vários estilos musicais diferentes. Assim, você terá um arcabouço técnico, prático e teórico suficiente para ampliar o seu horizonte estético e influenciar positivamente na mixagem que estiver fazendo.

Um exemplo desta abordagem eclética é um trabalho recente que fiz para a banda Dona Quimera. Nesta música, eu tive o desafio de mixar e trazer um bumbo com muita presença e com um reverb de um tamanho muito grande. Fiz, ainda, automações de send destes efeitos, para que eu conseguisse dar mais brilho e ocupasse mais espaço na mix. Todo esse artifício que eu apliquei numa MPB eu aprendi no POP. Ou seja, transitar por gêneros musicais distintos me deu a sensibilidade de ouvido e a capacidade técnica para executar essa produção de mixagem com maior confiança e qualidade.

Tenha referências

No ramo da administração, as referências são chamadas de benchmarks. Na produção musical, essas benchmarks são todos aqueles engenheiros de mixagem que você admira, que você escuta e identifica a sua marca ou simplesmente aquele profissional que você reconhece como autoridade em mixagem, seja plural ou especializado em um único estio.

Ter referências é sempre bom para moldar a sua forma de mixagem. Pegue um desses caras que você considera mais top e estude as suas tracks, observe a estrutura que ele usa, os efeitos e as automações, a forma como ele preenche espaços. Depois, pegue uma track sua e pense “como será que Fulano faria isso aqui?”.

Não precisa copiar ou usar exatamente a mesma metodologia. O importante é você encontrar, nas referências, formas já prontas de executar o que você ainda não fez. A partir disso, você pode pensar e implementar a sua maneira de produzir aquele determinado estilo musical.

A prática leva à perfeição

Viu só? Este é um ditado que vale muito no meio musical. Faça várias mixagens. Estude suas referências. Aprenda sobre gêneros musicais diversificados. Amplie seus horizontes estéticos. Conheça a parte técnica do áudio e da engenharia de mixagem.

E, pra não deixar de repetir, pratique o máximo que você puder. Foi desta forma que eu desenvolvi a minha experiência e é assim que tenho conquistado o meu espaço no meio artístico. É um trabalho árduo e acumulativo, ou seja: não é de uma hora pra outra que a gente se torna craque em mixagem, por maior que seja o nosso talento natural pra esta atividade.

Neste artigo, a minha intenção foi dividir com vocês as principais dicas que eu aprendi ao longo da minha estrada. Espero que tenha conseguido elucidar algumas dúvidas e tirar a ansiedade da sua cabeça. Tenha foco, tenha perseverança e faça da mixagem uma prática diária e divertida.

E para você que quer treinar em casa mesmo, no seu computador e na sua mesa, deixo aqui um super presente: o Manual do Home Studio. Um material bem legal e que vai te ajudar bastante a colocar a mão na massa – ou melhor, na mixagem! 

manual home studio

Até a próxima!

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