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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Esse texto foi baseado no vídeo “Como distribuir os instrumentos na mixagem”. Nele, uso exemplos de duas bandas de sonoridade totalmente diferentes para ver como um balanceamento ideal, em alguns casos, não significa um balanceamento perfeito.

Fala galera, beleza? No texto de hoje, vou falar sobre como vocês podem distribuir os elementos do arranjo na mixagem. Lembrando que o nosso objetivo na mixagem é realçar a emoção da música. Nossa função como engenheiro de mixagem é juntar as tracks e trazer mais emoção ainda para a música.

Muito além da voz

O EQP1A um simulador que simula um Pooltech que usei no canal da foz, trazendo um boost em 12k, que é um brilho a mais na voz – que foi muito bem gravada em um microfone valvulado que, assim como o microfone de fita, tem um top end mais suave, então você tem como trazer ele sem trazer tanto harshness.

Além disso, eu causei certa ressonância com o corpo em 100hz para que o corpo da voz não estivesse presente e também desliguei o clipper.

Tudo isso é enviado para dois compressores em paralelo. O primeiro é o bx_opto, onde eu faço uma compressão bem sutil, que segura um pouco os picos da dinâmica em paralelo do arranjo musical. Ele conta com um circuito de topologia óptica, fazendo dele dependente do material que vem pro input, dando um release um pouco mais natural. Na voz, eu usei ainda o PuigChild 660, que é um dispositivo mono do Fairchild 660.

Guitarras com identidade própria

Nas guitarras usei o GTR BUS para trazer uma equalização com meio e lado. No botão M eu controlo todo o sinal que vai para o meio da mix, com as fases bem sincronizadas. O plugin traz também o botão S (side). Assim, com esses dois recursos, eu trabalho o processamento da guitarra já na produção em estéreo, fazendo com que a informação de grave (lowend) fique mais centralizada para parecer de fato um contrabaixo tocando e se distribuir bem no arranjo musical. Ele também faz com que a parte aguda se abra mais na parte estéreo, fazendo parecer realmente uma guitarra.

Além disso, eu processei com o plugin Bx Digital V2, da brainworx, onde causei uma ressonância na faixa do grave, cortei um pouquinho do médio e do grave para abrir o espaço do corpo da voz.

Eu ainda uso o Springreverb, que é um reverb de mola, e o 1176, uma compressão em paralelo. Ela mal atua de fato sobre o sinal, é usada para trazer um pouquinho mais de agressividade para a guitarra, para ficar um pouquinho mais na frente.

Dê um passo além na equalização

Para conseguir uma coisa mais distorcida, explosiva e exagerada em vários pontos, que te traga para um outro universo, diferente do que a gente está ouvindo no ambiente acústico, nas guitarras, eu trabalhei com diversos equalizadores, usando diferentes tipos de processamentos.

Um deles é um plugin da SSL, o 4000E, que usei a versão mono em canais diferentes. Ele mostra o slitter, indicando onde eu aplico o meu processamento. Como na produção a gente já mandou os stems em estéreo, com todas as guitarras já somadas para diminuir o número de canais, basicamente eu tive como opção de colocar um SSL mono de cada lado.

De um lado usei um certo boost, em 254 Hz, com um bell (filtro de pico) ativado, enquanto do outro lado usei uma outra equalização, com um hypass filter com 79, mas sem nenhum boost no grave.

Essas diferentes equalizações que eu fiz em cada um dos filtros foram para deixar as guitarras situadas ainda mais na imagem estéreo. Isso altera também as fases do sinal, fazendo com que as guitarras abram mais na imagem estéreo, realçando o arranjo musical.

Eu também utilizei o H-Comp da Waves para poder trazer mais ataque. Repare que o ataque dele está lento e ele está com um punch e um release razoavelmente rápido. No meu mix 9, eu só estou comprimindo 50% do sinal. É como se fosse uma compressão em paralelo, que te traz um outro caráter.

Baixo marcante

No baixo, eu fiz uma série de processamentos, fazendo com que ele não dispute muito espaço com a guitarra, ficando mais no grave mesmo, com menos frequências médias e agudas. Apesar de não estar muito presente, quando tiro o baixo dá para ver que faz muita falta, isso porque a função dele no arranjo é trazer as fundamentais e fazer a divisão rítmica que aquela sessão precisa.

Bom pessoal, é isso. Com esse texto, vocês têm uma noção legal de como funciona esse equilíbrio no arranjo em diferentes gêneros musicais. Em muitos casos, não vai ser um balanceamento perfeito. Às vezes a coisa vai estar meio embolada, e é isso que a música pode precisar.

Saibam ainda mais sobre as técnicas de mixagem baixando o infográfico “3 Erros na Mixagem que te Fazem Parecer um Amador”.

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