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No texto de hoje, falaremos sobre uma técnica bastante interessante para poder selecionar takes. Ela possibilita que você selecione diversas partes dos diferentes takes feitos pelos artistas na hora da gravação. Ou seja, você gravou algo em casa e quer selecionar um fonema específico de um take, enquanto trabalha com todo o restante de outro? Essa técnica possibilita que você faça essa seleção rapidamente e possa ter a interpretação desejada para cada um dos takes.

Texto baseado no vídeo “TÉCNICA DE SELEÇÃO DE TAKES”, disponível no canal da Ossia no Youtube.

É muito importante ressaltar que, para a utilização dessa técnica, é necessário ter uma boa referência de tempo, ou seja, você precisa ter um playback e o artista precisa ter gravado sobre essa track, ou calcular o tempo usando o metrônomo.

Conhecendo a técnica na prática

No exemplo, é utilizada uma gravação de voz feita com um microfone valvulado da Groove Tubes, com um amplificador também valvulado, da Stellar.

Quando o StudioOne recebe as informações de áudio, ele grava elas em tracks. Depois disso, ele abre diferentes tipos de layers, um para cada take. No entanto, é necessário estar com as opções de track com “record takes to layers” ativado para que a divisão seja aplicada dessa maneira.

Caso você tenha gravado em outro DAW, você pode adicionar uma layer, que se juntará aos takes previamente selecionados no StudioOne, e nele adicionar o take desejado. É necessário que se grave com o tempo certo em todos os takes, caso contrário você acabará se perdendo na hora de selecionar as partes mais específicas de cada um.

Primeiros passos

A primeira coisa que você faz é ouvir os diferentes takes e a partir disso selecionar o que de cada um será utilizado, comparando-os para notar as pequenas diferenças que possuem entre si. Uma vez ouvidos os takes, em caso de problema de dinâmica – o que é muito importante -, o que se tem a fazer é recompensar essa perda de dinâmica com o ganho.

Não fica do mesmo jeito, é claro, porque a dinâmica que a pessoa interpreta na sala muda a quantidade de reflexões para o microfone, o que muda muito a característica do resultado final do som. Principalmente depois de se aplicar uma compressão nesse sinal, que é o caso do exemplo, onde foi aplicada uma compressão vinda do amplificador Stellar supracitado.

No exemplo acima, o take 2 está com uma dinâmica diferente a do take 1, parecendo que a cantora estava mais próxima do microfone. É perceptível como o efeito de proximidade muda bastante entre os takes, e isso vai mudar também como será equalizado cada clipe de áudio. Muitas vezes, é melhor já preparar cada clip para poder alinhá-los muito bem no sentido de resposta de frequência, em tracks diferentes.

Aplicado o contexto da música, com a adição do instrumental, fica mais fácil entender as diferenças de dinâmica, como funcionam e como alteram a música como resultado final. Se estiver com uma dinâmica menor em um take, precisaremos diminuir a intensidade, e trabalharemos com o clip gain. Dessa forma, fica mais fácil ter uma aproximação coerente de um clip com outro, porque, além de perceber com o som, podemos observar o nível de loudness (pico) que o próprio sinal possui, assim, controlando melhor a dinâmica e conseguindo juntar os takes de forma mais natural.

Mais conhecimento na técnica

Para você ter mais conhecimento sobre reflexão da sala e como o posicionamento pode influenciar na hora da gravação, recomendamos que se adquira o nosso e-book “Manual do HomeStudio“. Com ele, você economiza tempo e dinheiro na hora de montar seu estúdio caseiro e consegue alcançar cada vez mais novos resultados em sua mixagem.

Espero que tenha ficado claro como podemos selecionar diferentes takes de diferentes performances para aplicar no trecho da mesma música. É necessário tomar cuidado ao selecionar os “pedacinhos” dos takes, com a transição entre cada uma das partes, para evitar clicks e pops do áudio digital.

Dica extra

Preste atenção também na interpretação – pois pode haver uma pequena variação dinâmica ou uma variação rítmica que não permite que as partes se encaixem umas com as outras. Entretanto, na maior parte das vezes, se a linha estiver bem definida, é fácil de tudo dar certo. Com a devida atenção, essa técnica aplicada pode ajudar bastante na hora da sua mixagem.

Até a próxima!

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