Processo de Mixagem: Por que ele é o Responsável pelo seu Sucesso

A mixagem de um trabalho exige paciência e conhecimento. Existem muitas informações em manuais, livros e pela internet de como realizar um processo de mixagem. Mas nem todas elas nutrem aspectos importantes na hora de dar início a um projeto. Por esta razão, vamos selecionar algumas orientações que ajudarão você a melhorar a sua capacidade técnica de mixagem. Desenvolvemos uma metodologia baseada no processo dos maiores engenheiros de mixagem do mundo para melhor ajudar você.

Para quem é iniciante no tema de mixagem, quem nunca fez qualquer tipo de trabalho de mesa ou mesmo àqueles que não obtiveram êxito no seu resultado final, estas dicas são valiosas. Vale lembrar que mesmo para quem já trabalha com o processo de mixagem de músicas, seja em estúdio ou em casa, nem sempre tudo é um mar de rosas. Cada trabalho e processo é um caso diferente. Portanto, não se desestimule! É normal ter algumas dificuldades no meio do caminho. Vamos às dicas?

 

O que é uma mixagem?

Bom, para começar, temos que compreender o que significa uma mixagem. Não adianta a gente tentar fazer aquilo que não conhece de fato. Então, vamos começar pelo início.

Mixagem é a soma das diferentes informações de áudio fixadas em algum meio. O que isso significa? Isso quer dizer que do ponto de vista artístico e prático da produção fonográfica, poderíamos considerar que a mixagem é a arte de reforçar e aprimorar o discurso artístico da música baseada neste somatório de elementos/informações.

É claro que existem diversas etapas, assim como diferentes processos da produção musical. Mesmo assim, ambos seguem o mesmo caminho, de fazer a pessoa se envolver de alguma forma com o resultado final da música. Como os sons não são gravados de forma bruta, a gente poderia até pensar em equiparar o engenheiro de mixagem com o músico. Já que, de alguma forma, este também criou elementos que serão percebidos evidentemente pelo ouvinte final. Uma obra é sempre um trabalho coletivo.

O grau de importância de um engenheiro de gravação é essencial para praticamente todos os trabalhos de produção, com ou sem dinâmica. Após a primeira gravação elétrica, iniciada pelos sistemas de gravação, nos meados da década de 1940, iniciou-se a gravação então chamada de multipista em fita. O termo “mix” surge dessa nova tecnologia onde os instrumentos agora podiam ser gravados em diferentes fitas somadas.

 

Começando o processo de mixagem

Antes de tudo, o que você precisa ter para dar início ao processo de mixagem são os stems. O que são eles? Stems são informações de áudio digital ou analógicos, ou “tracks de áudio”. Você precisa obter antes as faixas no formato ideal e saber como exportar esses stems ou tracks.

Portanto, organize-se. Todo o processo de mixagem passa por uma organização de todos os passos antes de começar a mixar!

 

Preparação de áudio

 

  • Verifique se todos os arquivos de áudio estão com os nomes corretos, para evitar confusão depois.
  • Evite usar arquivos midi com instrumentos virtuais.
  • Tenha sempre no PC uma pasta do projeto, organizada pelos nomes de arquivos e tracks editadas ou não.
  • Avalie em qual tipo de bit depth é importante trabalhar, o número de bits de informação em cada amostra, e se esses comportam 16, 24, ou 32 bits de pontos flutuantes.
  • Tenha sempre os stems de qualidade, aqueles escolhidos que não apresentam problemas de áudio, do tipo clicks, ruídos e oscilações.
  • Caso você use fita, tanto a fita do toca-fitas quanto do gravador devem estar obrigatoriamente com todas as parametrizações corretas afim de que tudo saia como o previsto.
  • Determine o número de stems que comportam o seu mixer. Quando trabalhamos “in the box”, dificilmente teremos este problema.

 

Organizando a cadeia de sinal

Já organizadas todas as informação de áudio, agora é necessário organizar a sua cadeia de sinal. Para isso, existem alguns métodos de trabalho, que são diferentes um do outro. Para o caso de domínio analógico, é importante que você conecte todos os equipamentos e proceda endereçando-os de sua mixer para os respectivos periféricos. Dos periféricos para os seus retornos nos devidos canais, respectivamente, sejam eles:

 

  • inserts (retornam ao mesmo canal original no da cadeia de sinal);
  • sends (envio de pré ou pós fader, que pode ser controlado por um knob ou um fader pequeno adicional);
  • busses que são uma ou mais saídas para determinados canais.

 

Para o caso de domínio digital, ao trabalharmos in the box, podemos utilizar alguns templates prévios e ajustá-los de acordo com as exigências. O mesmo se dá no caso do analógico, em que o engenheiro também pode realizar o patching de outro dispositivo, quando for necessário.

Cuidado! Finalizada esta primeira etapa de preparação, ainda existem alguns detalhes, que se não observados podem prejudicar todo o processo de mixagem. Quem não organiza este processo tende a se perder, já que não se trata de um processo tão linear assim. Existem métodos e ações que são conjuntas na hora de encadear todo o processo.

Vamos por partes! Voltando um passo atrás:

 

Parte 1: qual é o objetivo?

Se você já começou pela organização e preparação do processo de mixagem, ótimo. Basta relembrar agora qual é o objetivo de todo este processo. Qual é afinal a orientação estética que o produtor e o músico deram ao trabalho. Nesta sentido, é válido ter em mãos um documento chamado “briefing”, que trará as seguintes informações:

 

  • a temática da música e qual é a história que será contada;
  • as referências, ou seja, uma mix bruta (Rough Mix), a mixagem realizada pelo produtor ou pelo músico, que indica para qual sentido se deve direcionar; isso, além das referências, que são os fonogramas de outras obras musicais;
  • ou ambas, a mix bruta e as referências.

Com este briefing, podemos ter uma noção mais exata do que fazer e como prosseguir no processo de mixagem. É necessário também entender toda a interpretação da obra, ouvindo-a, reconhecendo todos os seus detalhes, se possui stems ruins e como se sai a mix bruta, para ter uma noção mais clara de tudo, principalmente nos ouvidos do ouvinte final. Nesta fase, é dispensável os critérios técnicos de “perfeccionismo sônico”, a parte técnica que será trabalhada posteriormente. Esta é a fase da “escuta emotiva”.

Importante: caso você não tenha uma mix bruta, ouça as referências antes de utilizar os stems e reposicioná-los juntos. Com isto, está terminada a primeira parte e podemos prosseguir para a próxima etapa.

 

Parte 2: identificando problemas

Nesta nova fase é o momento de identificar tudo aquilo que não se encaixa mais no objetivo final do projeto. Para isso, vamos observar o seguinte:

 

“Escuta Emotiva” – Parte 2

Aqui você irá identificar os problemas na emoção da música. Aquilo que faz com que a música não passe a emoção que precisa. Não será um olhar técnico e sim um olhar para elementos construtivos que não fazem com que a música passe determinada sensação.

 

“Escuta técnica”

Alguns detalhes devem ser revistos, como por exemplo: no problema emotivo, por que a música não explode no refrão? Para isto, deveria-se responder, como problema técnico: “as guitarras estão pouco presentes no refrão” ou “a dinâmica da voz varia em excesso e perde a dramaticidade da letra”.
Conseguiu compreender a finalidade da “escuta técnica”?

Em resumo:

Escuta emotiva: entende a vibração da música;
Escuta emotiva 2: entende os problemas da emoção da música;
Escuta técnica: decompõe os problemas emotivos em problemas técnicos, identificando-os.

Cada identificação poderá ser desdobrada em:

 

1

 

Parte 3: ações técnicas

Os objetivos técnicos começam a fazer sentido no processo de mixagem e com eles vêm as verdadeiras mudanças.

Como vimos antes, no exemplo do problema emotivo ter sido respondido pelo problema técnico (de “por que a música não explode no refrão”, por causa que “as guitarras estão pouco presentes no refrão”), agora temos a resposta do que fazer, com o objetivo técnico. Neste caso, ele responderá: “deixar as guitarras mais presentes no refrão”.
Realmente, se todo o processo não for compreendido desta forma, sobre o conhecimento técnico e as escutas adequadas, ficará bem complicado desempenhar e finalizar as últimas etapas do processo de mixagem.

Lembre-se: nem tudo é tão mecânico assim, linear e preto no branco. Você pode acabar realizando este processo em ciclos do início da sua segunda escuta emotiva até as ações de mixagem propriamente ditas. Portanto, você mesmo poderá realizar toda essa sequência inúmeras vezes, até conquistar um resultado final desejável. O importante é perceber os detalhes contidos entre e nos processos. Geralmente, as pessoas acabam se perdendo entre etapas ou mesmo não construindo um processo.

 

Por que um processo pode ser ruim?

Aqui, estão algumas opções:

1. A pessoa não possui consciência nem conhecimento de nenhum processo.

2. Ela se perde em alguma fase de uma etapa e com isso se torna impossível retornar ao passo anterior.

3. Racionaliza demais e não consegue realizar a “escuta emotiva”.

4. Pula uma etapa por que acredita que ela não é importante.

5. Se desestimula por que não possui conhecimento suficiente de áudio e de técnicas de mixagem.

 

Em nosso curso online Por Dentro da Mix, existe um módulo chamado “Meu Processo da Mixagem”, no qual damos todas as informações necessárias e as principais soluções para os alunos.

 

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Abraço,

Alwin Monteiro

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