Muse – Survival: Por Trás dos Grandes Álbuns #2

Hoje, falaremos sobre a produção do fonograma Survival, da banda Muse. Vamos abordar o processo de gravação, a interação entre a banda e os músicos acompanhantes (performers contratados para gravar algum instrumento extra), a preparação para a mixagem e a mixagem em si. Preparados?

Por Trás dos Grandes Álbuns: Muse – Survival

Originalmente, esta música foi produzida para o álbum The second Law, nome que se refere à segunda lei da termodinâmica. O The Second Law, foi produzido pela própria banda que mostrou ter muito conhecimento musical e contou com grandes profissionais, dentre eles engenheiros de gravação e músicos acompanhantes de alto nível.

A música mostra uma forte inspiração da banda Queen, bem como heavy metal e rock inglês. De uma forma fantástica, cria um universo moderno e fantasioso.

Uma curiosidade: depois de uma certa confusão entre Elton John, a banda e os diretores musicais do evento da olimpíada de 2012, ela acabou sendo usada como a música original do evento.

Processo de Gravação

O Álbum foi gravado em diversos estúdios no período entre outubro de 2011 e agosto de 2012, dentre eles o “Studio A”, da Capitol Studios, onde foi gravada a música Survival. Todos os arranjos foram escritos pela própria banda e a gravação foi feita em 4 diferentes momentos.

  1. Gravação da guia feita pela banda tocando junto na mesma sala;
  2. Gravação individual de cada parte do coro;
  3. Gravação do coro todo em uma mesma sala;
  4. Gravação dos músicos da banda feita em salas diferentes e em momentos diferentes.

O pianos da música foram gravados no Studio A, do Capitol, e foram performados pelo próprio vocalista e guitarrista da banda Matthew Bellamy. O Studio A conta com uma Neve 88RS de 72 canais e diversos microfones, como os Neummans U87, que foram usados para gravar os corais com os prés da Neve 88RS.

Imagem original de Capitol Studios - Studio A - Sala de controle

Imagem original de Capitol Studios – Studio A – Sala de controle

Todos os sinais dos diferentes microfones foram somados na própria Neve e 3 diferentes stems stereo foram criados para cada parte do grupo coral. Esse tipo de decisão é bem importante e não pode ser adiada: saber quais stems são resultado da soma de quais informações gravadas é fundamental para orientar os processos posteriores.

Amplificadores e Microfonação

As guitarras foram gravadas com diferentes amplificadores: Um Vox AC30 combo, principalmente para os solos, somado ao som mais presente o do Cabinet da Mills Acoustics, o Afterburner 412A Guitar Cabinet.

Amplificador da Mills

Amplificador da Mills

Vox AC30

Vox AC30

As guitarras foram gravadas com diferentes tipos de microfones e abordagens: um par stereo de 2 diferentes takes para os Mills, sendo um dos stereos a sala e outro sinal stereo a junção de 2 microfones próximos do amplificador da Mills; o dinâmico, Sm57 e o de fita, Royer 121, posicionados muito próximos e fora do centro de dois dos 4 alto falantes do Mills.

Um outro som de guitarra gravado um DI, ou um Sansamp, com o efeito de fuzz somando um médio “áspero” para os riffs da guitarra base.

A bateria foi gravada em uma sala grande com vários abafadores acústicos, para evitar o excesso de vazamento dos pratos nos microfones de sala. Estes abafadores são muito usados para modificar a impedância acústica e filtrar frequências hiper agudas dos pratos nos microfones de sala e também para evitar primeiras reflexões nos microfones próximos à bateria.

Além dos sons gravados da bateria, a banda sampleou alguns sons de caixa e gravou tímpanos. Os samples de caixa foram manipulados, colocando um gated reverb, ou seja, um reverb com gate.

Como foi sua Mixagem

Chris Lord-Alge foi o engenheiro de mixagem que mixou a música Survival.

Em seu set, Chris usa uma mixer analógica da SSL modelo 4000G.

Para realizar essa Mix em sua SSL 4000, ele precisou trazer os 96 canais originários da produção da banda para os 48 canais disponíveis em sua SSL. Nesta fase da produção, algumas decisões chaves são tomadas e a primeira delas foi diminuir o número de tracks para o número necessário na mixagem.

Chirs, junto de seu assistente Nik Karpen, realizaram o comping, que, neste caso, é a seleção de diversos takes e a junção de alguns deles para stems únicos. Neste processo, os stems foram unidos, por exemplo, da seguinte forma:

  • 8 stems de guitarras direto do amplificador ->  2 canais stereo
  • 2 stems de microfonação de sala das guitarra -> 1 canal stereo
  • 4 stems de DI e Sansamp -> 1 canal stereo
  • 5 stems de sala da bateria -> 1 canal stereo room.

Assim, eles ficaram com o seguinte tracking sheet:

Fonte: Chris Lord-Alge “Track Sheet” - Mix With The Masters

Fonte: Chris Lord-Alge “Track Sheet” – Mix With The Masters

 

Chris Lord-Alge em frente a sua SSL 4000 E - Fonte: http://chrislordalge.com

Chris Lord-Alge em frente a sua SSL 4000 E – Fonte: http://chrislordalge.com

Após isso, ele realizou o envio para o seu chain através de sua rounting matrix da SSL. Ele conta com uma Routing Matrix com 32 canais.  

 

Rounting Matrix SSL 4000

Rounting Matrix SSL 4000

Sends da SSL 4000

Sends da SSL 4000

Além destas 32 mandadas, é possível enviar o sinal por outras 6 mandadas auxiliares pertencentes a sessão CUES da mesa. Chris usa estes 6 canais auxiliares e mais outras 8 mandadas da “routing matrix” para efeitos.

Estes mesmos efeitos retornam para a mesa nos primeiros 12 canais da mesma, para que ele possa balancear a presença de cada efeito na mix toda através de um fader individual ou de um par dos mesmos. Ele usa cerca de 8 reverbs e delays em sends e returns (mandadas e voltas) diferentes, combinados para obter o som necessário para os vocais, corais e piano da música.

Uma coisa muito marcante nas mixagens do Chris Lord-Alge:

Uma coisa muito marcante nas mixagens do Chris Lord-Alge é a forma como ele usa os equalizadores da própria SSL, puxando os agudos das peças de bateria com bastante confiança. Além das peças de bateria o baixo também tem essa assinatura de soar bem presente com agudos, e médios realçando a presença e os sons da interpretação do próprio músico.

Segundo Chris Lord-Alge, as guitarras foram tão bem gravadas que ele não usou nenhuma compressão. Já nas vozes, ele usou a Revisão Azul, do 1176, para o vocal principal e um compressor valvulado para os backings chamado Inward Connection. Ele também inverteu as fases de um dos diferentes sinais de guitarra base, alguns de amplificadores e outros das DIs. Assim, ele trouxe mais médio grave na soma dos dois sinais.

1176 Fet Compressor - Imagem de Universal Audio

1176 Fet Compressor – Imagem de Universal Audio

Inward Connections - TSL 4

Inward Connections – TSL 4

O compressor 33609 foi usado nos tons da bateria e o único equalizador externo usado foi no kick. Fora isso, usou somente equalizadores da SSl 4000 E com a opção de trabalhar com um Bell para o filtro de frequências agudas (que o Chris tanto gosta).

Qual Lição Aprendemos com Chris Lord-Alge

Produzir é tomar decisões com conhecimento. Se você ficar pensando muito é porque ainda precisa de prática e conhecimento e, para isso, nada melhor do que estudar e praticar. 😉

O Muse chegou ao ponto de produzir seu próprio álbum, por já ter uma bagagem enorme e dinheiro para trabalhar com engenheiros de som especializados e experientes. Se esse não é o seu caso, estude e considere ter um produtor musical acompanhando sua produção, afinal, como em qualquer outra experiência, você aprenderá e estará cada vez mais capacitado e com a consciência de quais conhecimentos você precisa para dar os próximos passos.

Um abraço!

Alwin Monteiro


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