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Você com certeza já deve ter se deparado, seja lendo um artigo ou vendo um vídeo, com os seguintes termos do mundo da produção fonográfica: mix bus, send e return. Saiba que todos eles possuem uma relação. Eles dizem respeito a palavras utilizadas na explicação do endereçamento e processamento dos sinais de áudio para serem trabalhados em um único canal. A prática é de uso obrigatório em todos os estúdios. Ela agiliza a dinâmica da mixagem e não força ao extremo o processador do seu computador.

 

 

Entender os termos vai facilitar seu dia a dia

Processamento por grupo e processamento paralelo são também dois conceitos que serão desenvolvidos aqui neste artigo. Isso vai te ajudar a evitar aquela sensação de estar lidando com um verdadeiro bicho de sete-cabeças.

Todos esses termos passeiam naturalmente pelo modelo de trabalho analógico assim como pelo modelo de trabalho digital.

A lógica do workflow é a mesma, configurar os padrões em uma mesa de mixagem não é tão diferente do que numa popular DAW. A única diferença pode estar nos controles, sendo então faders ou knobs.

Vamos então acabar de vez com as dúvidas e aprender do que se tratam mix bus, send e return!

 

Mix Bus

Antes de falar do mix bus, vamos ter claro o que é bus. A palavra evoca um conceito um tanto genérico. No entanto, é importante que você tenha em mente para já se familiarizar com o vocabulário. O bus pode ser compreendido como um único caminho ou canal que permite endereçar múltiplos sinais para um mesmo processamento por grupo, no caso, o bus.

 

Trazendo a fórmula para a mixagem

O mix bus é a aplicação desse conceito em um cenário onde uma compressão e outros efeitos podem alimentar o bus antes de endereçar os sinais para um canal de saída.

Todo o processamento por grupo aponta para um canal de saída. Daí o porquê de utilizarmos isto no endereçamento dos canais de bateria, instrumentos e vocais. Assim cada um tem o seu respectivo fader. Todos os sons destes grupos são então endereçados para um único channel de sua escolha. Podendo ser o seu main output (principal), dando origem a uma faixa estéreo.

 

Send

Ao duplicar o sinal da mix bus, teremos uma track auxiliar para funcionar como secundária na mixagem. Isso permite dar início assim ao que podemos chamar de processamento paralelo. Esse sinal auxiliar é bastante utilizado para a alimentação dos alto-falantes e fones de ouvido. Com isso, quem estiver gravando no estúdio consegue se ouvir. A mesma coisa serve para quem estiver executando uma performance no palco.

O bus auxiliar também é importante para enviar os sinais dos efeitos durante a mixagem. Aqui é onde fazemos a correlação com o título do nosso tópico, pois o que é enviado pelo bus auxiliar é chamado de “Send”. É bom saber que, neste momento, os efeitos não são carregados. Lembre-se que esta ação é ainda fundamental para aliviar o uso do seu CPU.

 

Fique atento!

Preste atenção quanto à intensidade do sinal, fazendo-se necessário aumentar (movendo o fader para cima) ou diminuir (movendo o fader para baixo). Um processo como esse tem por objetivo manter a sua canção soando clara e coesa. O que torna o endereçamento de sinais em grupos tão importante.

Uma dica importante é com relação à configuração da mixer, pois ela pode estar em pós-fader ou pré-fader. Isto vai permitir aumentar ou diminuir só o efeito ou a track como um todo. O padrão é normalmente ficar em pós-fader, neste set-up conforme você ajusta o volume do canal principal de saída da mix bus, o “Send” varia também. No pré-fader, o canal de saída e o “Send” tornam-se independentes, deixando você livre para ajustá-los individualmente.

 

Return

Hora de esclarecer o último item da tríade: mix bus, send e return. Basicamente, vamos recapitular a função do “Send”, que é a de enviar os sinais antes de terem os efeitos interpretados pelo canal de saída (mixer). Pois bem, este canal é o “Return”, já que receberá o sinal com os efeitos processados. Isto permite um melhor controle sobre a mixagem, pois podemos configurar separadamente tanto a track com o sinal original quanto aquela com o sinal processado.

Ambos — “Send” e “Return” — permitem que um único efeito seja compartilhado em múltiplos canais da mesa de mixagem. Reverbs podem ser endereçados e recebidos para então experimentarmos a melhor configuração sem a necessidade de criar diversas tracks, tudo à base da multiplicação de sinais.

 

Essa técnica pode te ajudar

Uma técnica muito utilizada é a de compressão paralela, pois segue a mesma lógica de endereçamento para depois mixar a “Return” track com a track original (limpa), mantendo esta última com um volume superior para não perdemos o brilho do instrumento, sendo capaz de alcançar texturas interessantes em vocais por exemplo.

A técnica é também frequentemente aplicada quando se deseja ampliar a sensação de overhead na gravação da bateria.

Guitarristas normalmente irão gravar suas composições com todo o processamento de efeitos ativado, pois muitas técnicas utilizadas tanto no braço do instrumento quanto na palhetada têm na sua margem de sucesso uma ligação direta com o efeito requisitado. Por exemplo, uma sequência de arpejos pode exigir mais chorus, enquanto uma frase de um solo pode precisar de mais delay para que o músico saiba o momento de emendar um vibrato.

 

Mix bus, send e return: por que eles confundem?

Mix bus, send e return são uma unanimidade na hora de confundir a cabeça de todos aqueles que estão dando os primeiros passos com a produção fonográfica. Como você pode perceber, o tema é mais fácil do que aparenta.

Recapitulando, é só você ter em mente a lógica do processo, que funciona basicamente com o objetivo de unificar os sinais de áudio de um grupo de seu interesse — efeitos, partes da bateria, vozes —  para um canal principal de saída.

 

No Curso Online Por Dentro da Mix você confere mais detalhes sobre Mix Bus, Send e Return, além de vários outros assuntos envolvendo o universo da mixagem.

 

Grande abraço,
Alwin Monteiro

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