Masterização: Como Analisar a Sua

Afinal, como saber se a masterização ficou “boa”? Isto é, adequada para todos os equipamentos de reprodução de áudio? Você já deve ter visto vídeos e artigos sobre este assunto, mas provavelmente ninguém exemplificou exatamente o que você precisa saber.

Não queremos fazer deste, mais uma discussão sobre o “certo e errado” em relação à Loudness War, mas sim, uma discussão produtiva a respeito de quais indicadores mostram que sua música estará com mais ou menos volume e como irão performar nos diferentes equipamentos.

“O Que é Masterização?”

A masterização é um processo que tem como finalidade agregar artisticamente ao fonograma e preparar o produto para sua reprodução final em diversos equipamentos e mídias. Ela é feita a partir de um fonograma, geralmente stereo, ou a partir de alguns stems, que são arquivos de áudio provenientes da soma de diferentes canais da mixagem. Veja também um apanhado da história da masterização, onde mostramos os processos e o desenvolvimento estético do áudio.

Para entendermos esses padrões e o funcionamento dos diferentes meters vamos primeiro decifrar a que se referem às diferentes escalas em decibel:

Escalas Decibel:

Toda escala Decibel consiste na representação da diferença entre grandezas, sendo comparado a um padrão. O valor padrão é determinado 0 dB. Veja mais:

Escala Decibel em Som:

dB SPL – Pressão sonora. Pressão gerada em um meio físico através dos movimentos de compressão e descompressão.

Escala Decibel em Tensão Elétrica:

dBV – Medida de tensão elétrica em um equipamento, entendendo 0 dBV como 1V

dBu  – Medida de tensão elétrica anterior à dBV, onde 0 dBu = 0,775V.

Escala Decibel em Potência Elétrica:

dBW – medida da variação de potência de um amplificador onde 1 dBW = 1 Watt de potência.

O Que são Valores De RMS e PEAK:

RMS é uma média quadrática. Ela é utilizada quando estudamos um fenômeno cíclico, como, por exemplo, a alternância da corrente e a compressão e descompressão do ar, no caso do som.

Seu nome vem de root mean square (RMS). Também pode ser chamado de valor eficaz.

Temos também as medições de pico (PEAK) da intensidade, que são feitas de uma forma mais simples. Para não ficarmos muito técnicos, não vamos aprofundar neste ponto.

Pra quê servem os Valores De RMS e PEAK?

Os valores em RMS e PEAK são usados no áudio digital e, por muito tempo, formaram os principais indicadores de loundness que um fonograma tinha. Através do controle da diferença entre estes dois parâmetros, os engenheiros de áudio controlavam o quão intensa era a música. Quanto mais comprimida é a música, menor é a distância entre estes valores e menor a variação de PEAKS.

Padrões de Loudness:

Com a ampliação da capacidade de processamento dos computadores, os desenvolvedores de plugins de áudio e DAWs criaram uma série de plugins de medição (meters). Estes plugins foram baseados nos parâmetros estabelecidos em diversas convenções internacionais de áudio, para diferentes mídias. Um exemplo é a convenção para telecomunicações (radio, broadcast e TV) ITU-R BS.1771-1, que estabelece um novo padrão de loundness para a reprodução de músicas nessas diferentes mídias.

Surgiu aí a medida padrão de loundness chamada de loundness unity ou loundness K-weighted.

dBLU – Loundness Unity

dBLK – Loundess K-weighted

Estes valores se aproximam muito dos valores em RMS, porém os valores em RMS são feitos com base nos equipamentos de reprodução de áudio, ao passo em que os valores de dB LU e LK trabalham com valores de intensidade de acordo com a percepção auditiva humana.

Existem alguns valores de LU e LK para funções diferentes. São eles:

Símbolo Nome Descrição
I Integrated loudness A quantidade de loundness medida antes de resetar o aparelho
S Short-term loudness A quantidade de loundness dos últimos 3 segundos
M Momentary loudness A quantidade de loundness dos últimos 400 milisegundos
LRA Loudness range O range dinâmico total da música. Medido antes do último reset
LUFS = LKFS = K-weighted loudness de acordo com a escala de áudio digital, ou seja em decibel Full Scale (FS).

Esse padrões foram criados para evitar mudanças abruptas de volume na reprodução dos diferentes produtos de mídia, como por exemplo aqueles saltos de intensidade durante a propaganda, que ainda são muito comuns no Brasil.

Através do controle destes indicadores você não vai precisar se preocupar com a distorção excessiva durante a reprodução em diferentes equipamentos.  

Conclusão – Masterização: Como analisar?

Observe estes parâmetros na hora de avaliar sua masterização (ou o serviço que prestaram para você!). Isso vai te ajudar a ganhar tempo, mas sempre teste em diferentes equipamentos, como no carro, naquele fone de ouvido ruim, na televisão (se puder), enfim, no máximo de dispositivos e situações.

Por fim, não deixe de aproveitar suas músicas! Quando escutamos para o trabalho, muitas vezes ficamos focados nos detalhes e acabamos esquecendo o panorama todo. Música é sentimento. Este é o início e o fim do nosso trabalho.

Um abraço!

Alwin Monteiro

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