Os processos de mixagem mudaram muito nos últimos 30 anos. Ao decorrer desse período, algumas práticas que se tornaram defasadas geram mitos. No vídeo dessa semana, Alwin Monteiro coloca estes mitos em cheque!

Confira:

Veja um pouco mais aqui abaixo:

Mito nº1 – “É necessário ter 6 dBs de headroom para enviar sua mixagem para a masterização”

Antes de afirmar, é importante entender o que é headroom.

Headroom é a distancia que temos até o limite possível de amplitude do sinal, medido em decibéis, que o áudio tem. Isto, por conta dos dispositivos e formatos que o reproduzem. Geralmente, estes dispositivos reproduzem arquivos de áudio digital. Por isso, usamos a unidade de medidas dBFS (decibel full scale). Marcamos como “0 (zero) dB” o limite onde os dispositivos digitais conseguem reproduzir o áudio sem haver níveis críticos de distorção da informação original.

Essa distância pode ser verificada em meters presentes em diferentes dispositivos digitais. Por exemplo, o meter do seu DAW ou de equipamentos, como placas de som e etc.

Esteticamente, por conta da capacidade de armazenamento de dados, processamento e diferentes tipos de equipamentos para transdução de áudio, criou-se uma cultura onde o processo de masterização se usa de um espaço de dinâmica (o headroom), para realizar os seus diversos processamentos no fonograma final. Colocando, assim, o fonograma em níveis de loudness comerciais para reprodução.

Porém, não há fatores que determinem que a função do processo de masterização seja necessariamente esta. O próprio processo de mixagem, que hoje, através de ferramentas digitais, consegue reconstruir as relações dinâmicas do arquivo de áudio sem alterar a relação de dinâmica entre as partes e elementos da música. Isso é possível através da tecnologia de 32 bits de ponto flutuante. Ela reconstrói a profundidade dinâmica mantendo as proporções logarítmicas da versão original.

Exemplos:

Um dos engenheiros de mixagem e produtores musicais que defende o uso deste formato na entrega do arquivo de áudio para o engenheiro de masterização é o Andrew Scheps (Adele, Red Hot, Chili Peppers, Jay-Z, Metallica, U2 e muitos outros). Ele também defende a posição de que o engenheiro de masterização deve saber controlar a dinâmica do arquivo e conseguir trabalhar o necessário para que o arquivo chegue no resultado final desejado, uma vez que a tecnologia de 32 bits flutuantes possibilita isso.

Além dele, outros engenheiros de mixagem como, por exemplo, o Tony Maserati, não pensam que é necessário deixar “tal headroom em 6dB”. Afinal, a ideia é chegar cada vez mais próximo do produto final. Existem diferentes respostas à esta pergunta. Elas variam entre o peak meter batendo em 0 dBs e batendo em -12dBs, dependendo do engenheiro, do gênero e da música.

Afirmar que precisa de no mínimo 6 dBs de headroom é um pouco limitador. Porém, não significa que não seja uma forma de trabalhar com o engenheiro de masterização específico. Existem engenheiros que necessitam de no mínimo 6 dBs, enquanto outros exigem mais ou nenhum headroom.

 

Mito nº2 – “Como mixar algo?”

Mixar é uma arte que depende de muito conhecimento técnico, inventividade e conhecimento da cultura para a qual se está mixando. Mixar não é aplicar uma receita de bolo.

Quando alguém sugere ensinar, por exemplo, “como mixar voz”, precisamos sempre suspeitar. Existe muita informação útil em todo o processo, e que pode ser replicada em outro processo. No entanto, com certeza, terá um material de áudio e propósito diferente. A ideia de aprender a mixar algo se baseia no conhecimento estético e da cultura do público alvo da música. Com certeza, existem ferramentas e técnicas recorrentes durante todos os processos. Porém, existem muitas variáveis estéticas propostas pelo artista, pelo público alvo da música e a partir disso por outros diversos fatores, desde equipamentos à propósitos comerciais para o fonograma final.

A saída é estudar sobre mixagem. Encontrar e entender as ferramentas mais adequadas para cada situação. Por mais que muitas delas se repitam, saber manipula-las da forma mais adequada só vem com prática e experiencia.

 

Mito nº3 – “Não coloque compressor e nem limiter no seu mix bus”

A ideia deste mito é que, se você não utilizar um compressor ou um limiter na sua mixagem, você não perderá variações de dinâmica importantes para a música. Essa informação ignora o fato de que existem muitas variáveis manipuláveis dos diferentes compressores e limiters que trazem resultados muito diversos, as vezes uma sensação ainda maior de variação de dinâmica. O Alwin acredita que há algumas simplificações excessivas em relação à manipulação e aplicação destas ferramentas.

Aplicar diferentes tipos de processamento dinâmico em todo o sinal final de áudio da sua mixagem é uma das técnicas mais extensivamente usadas. Alguns nomes como Dave Pensado, Michael Brauer, Tchad Blake, Andrew Scheps, Andy Wallace e talvez a grande maioria dos engenheiros de mixagem, use mais de um limiter ou compressor no seu mix bus.

Ao usar um compressor ou um limiter é fundamental que se entenda com que finalidade se esta usando. Muitas vezes a ideia é trazer o famoso “glue” para mixagem. Para isso, é fundamental saber:

  • Qual a constante de tempo (time constant, ou attack e release)
  • Qual razão de compressão (ratio)
  • Qual ponto limítrofe (threshold)
  • Qual curvatura de aplicação de ratio (knee do compressor)
  • Como esses e outros parâmetros interagem entre si

Só assim, é possível trazer diferentes resultados, dependendo sempre do material da mixagem.

 

Mito nº4 – “Mixagem analógica é melhor do que a digital”

A afirmação é melhor, em arte, é sempre um pouco complicada, uma vez que o conceito de arte está diretamente relacionado à cultura e aos gosto pessoal construído pela história cultural de cada indivíduo.

Nossa indústria passou por transformações rápidas. Uma delas foi a mudança de processos da produção musical guiada por necessidades culturais, pelo mercado e por um avanço tecnológico que estendeu a capacidade do processamento digital a um patamar incrível. Isso fez com que os processadores digitais de áudio se tornassem softwares vendáveis em uma escala muito maior e com custo de produção menor do que qualquer dispositivo analógico já feito. No início, com a falta de capacidade de processamento e conhecimento por parte da indústria e consumidores, criou-se um preconceito com os plugins de áudio. Ao mesmo tempo, iniciantes da indústria conseguiram adquirir os seus primeiros processadores de sinal de áudio dentro do seus home computers.

Com o surgimento da tecnologia de processamento de 64 bits, os computadores começaram a atingir uma precisão de bits tão grande que os plugins começaram a se tornar preferencia. A maior capacidade dinâmica e da estabilidade dos plugins, que diferente dos processadores analógicos (cada dia, hora e dependo das variações da rede elétrica mudam seu funcionamento), não sofre variações de comportamento durante o processamento do sinal de áudio. Isto faz com que os “recalls” sejam muito mais rápidos e eficientes.

Em outubro de 2014, membros da Audio Engineering Society lançaram um artigo mostrando dados insertantes sobre o mito do áudio digital e do summing digital x analógico que está completamente oposto aos fatos. Em geral, 76% das pessoas não tem preferencia em relação a nenhum dos dois tipos de summing, 19% prefere o summing digital, e 5% prefere o analógico. 

 

Mito nº5 – “Plugins exclusivos para masterização ou para mixagem”

Quando analisamos a estrutura de programação das engines e o DSP dos diferentes softwares, vimos que eles variam bastante. No entanto, não realizam nada que os impeça de ser usado na mixagem ou na masterização. O ponto central aqui é que eles precisam corresponder com algumas manipulações de áudio necessárias nos diferentes processos não alterando coisas sem que o engenheiro deseje.

Um ponto importante citado por Alwin, é a linearidade de fases do equalizador usado em um canal stereo. Ele processa diferentes materiais ao mesmo tempo (ex: mix bus, buses e auxiliares e também o seu arquivo de master). Se o equalizador não for linear, podem haver diferenças de fase e alterações nos transientes. Como também e nas diferentes frequências pela imagem stereo. Se o desejo é ter essa diferença, ok. Porém, se a intenção é ter fases lineares na imagem stereo, use um equalizador linear.

Outro ponto importante, é que algumas ferramentas são fundamentais na masterização e na manipulação do mix busPor exemplo, as ferramentas que aceitam processamentos de meio e lado (middle/side), processadores de dinâmica com sidechain e mix knoob que permitem ter o sinal parcialmente processado.

E você, o que acha? 🙂

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