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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Antes de começarmos a falar sobre o assunto deste nosso post, é importante mencionar que devemos manter o foco no “todo” no processo de mixagem – do seu início ao fim. Só assim, levaremos todos os detalhes em conta. Ou seja, sem foco e sem planejamento, é muito comum sairmos do eixo e nos perdermos no meio do caminho. Por esta razão, vale muito a pena conferir estas nossas dicas anteriores sobre o que é mixagem e por que o processo de mixagem é importante.

Agora, depois de ter bem definido esses passos anteriores, será mais fácil saber qual o caminho a percorrer.

Vamos lá: tecnicamente a mixagem é a junção de diversos sinais de áudio oriundos de algum meio. Sem o trabalho do produtor ou do engenheiro (funções diferentes), tanto o compositor quanto o arranjador não teriam o trabalho final desejado. O trabalho do engenheiro, na verdade, é o de reificar a identidade do artista e do release. Seja no lançamento de single, full length ou EP e, naturalmente, contribuir com a sua assinatura sônica de acordo com o seus processos e de processamentos de sinais recorrentes.

 

 

Mas, o que é “identidade musical”?

Na verdade, a identidade musical é a busca pela característica mais próxima daquilo que o músico deseja obter de seu trabalho, baseado na sua representação artística. É através dela que o artista será conhecido, deixando a sua assinatura no produto final.

O trabalho do engenheiro de mixagem e do produtor é de reificar a assinatura artística do intérprete que gravou o fonograma ou do produtor de música eletrônica que criou a música, já como um fonograma sem necessariamente ter algum intérprete.

 

Como assinar o seu trabalho

Existem trabalhos com características diversas. Em alguns deles o produtor será responsável por arranjar e compor coisas diferentes, assim terá parte autoral no trabalho. Sendo assim, irá naturalmente deixar a sua característica como arranjador e compositor. Muitas vezes o escopo do trabalho do produtor é somente de auxiliar o performer orientando características gerais de arranjo, objetivos na construção da identidade e performance, quando o produtor ajuda o performer a trazer essas características de forma mais sólida naquilo que refere a performance.

Produtores diferentes atuam de forma diferente. Temos, por exemplo, dois produtores que trabalham de formas completamente diferente: Joe Chicarelli e Max Martin.

Joe Chicarelli, geralmente, trabalha com o artista e com a banda bem próximo. Ele estabelece características gerais daquilo que o artista procura e as orientações de uma gravadora ou de um A&R. Max Martin trabalha compondo, produzindo samples e performando e sequenciando instrumentos virtuais. São duas abordagens completamente distintas. A natureza do trabalho do Max Martin faz com que a sua assinatura fique evidente na própria estrutura da composição. Uma vez que além de produtor ele é, muitas vezes, o compositor.

Já no caso do Chicarelli, a questão da performance e sônica de áudio são o foco principal. Claro que ele trabalha questões gerais do arranjo com os músicos. Mas, são orientações mais gerais que permitem que bons performers e arranjadores criem e coloquem a ideia deles de uma forma mais independente. Afinal, essa é a característica deles como artistas.


 

A assinatura do engenheiro de mixagem

 

No caso dos engenheiros de mixagem, as abordagens sempre estão muito mais relacionadas a algum aspecto sônico de áudio. O engenheiro procura trazer uma relação coerente nas músicas de um determinado release de um artista. No âmbito do artista independente, quando ele é o próprio produtor fonográfico e a própria editora, cabe a ele fazer todo o alinhamento estético entre os fonogramas. Isso é feito com o propósito de garantir que o engenheiro de mixagem e o produtor musical entenderam a ideia e que isso será seguido em todas as instâncias do trabalho.

A assinatura do engenheiro de mixagem irá acontecer de uma forma natural. Assim o foco principal das características de identidade e o discurso emotivo continua vindo da obra e do artista.  Para que este engenheiro fique conhecido por sua assinatura, é muito importante que ele entenda esse objetivo. Além disso, que com a sua experiência ele descubra como sua cadeia de processamento de sinal pode contribuir em cada caso. Ou seja, a assinatura do engenheiro nada mais é que a forma como ele contribui para o artista e para a obra.

 

Os passos de construção da assinatura

1. Conhecer o gênero musical

Independente da escolha musical pessoal e do seu gosto particular, é possível que você encontre a sua assinatura em diversos gêneros musicais. Talvez, no início, você vá encontrar dificuldades técnicas para mixar um determinado gênero que não está entre os seus favoritos. Mas, como resolver isso? Se envolver com as características emotivas do público para o qual a música é feita é uma boa saída. Fazer o papel de “antropólogo”em alguns momentos pode te ajudar muito. Procure entender como essas pessoas ouvem esse gênero musical específico e qual a transformação emotiva que elas procuram ao ouvi-la. Essa é uma grande dica!

É normal passar pela situação de mixar uma música e, mesmo gostando dela, o resultado não alcançar o que você queria. Aquela profundidade, o mesmo punch ou qualquer outro aspecto sônico pelo qual não consegue reproduzir, de fato é meio frustrante.

 

2. Encontrar coerência entra a identidade da sua mix e cada gênero

Mixar estilos pop, MPB e rock e garantir uma coerência na construção da identidade de sua mix nesses gêneros diferentes requer conhecimento. Essa frustração geralmente acontece por dois principais motivos:

– não possui determinados conhecimentos do processo como um todo e das suas referências estéticas;

– não possui conhecimento dos equipamentos utilizados para ativar determinadas características sônicas à mix.

Encontrar uma identidade musical para as suas mixagens, realmente não é algo simples. Isso acontece porque as músicas que você poderá mixar no futuro são muito diferentes entre si. Isso envolve tanto o material dos stems, das tracks de áudio, quanto da própria estética da música. Se você quer criar uma assinatura final na mixagem, ela precisará abranger todas estas variáveis estéticas dos fonogramas.

Ao realizar um bom trabalho, é essencial entender os aspectos estéticos mais característicos de cada gênero, de cada artista e, logicamente, do lançamento que será feito. Nesse sentido, se você está num processo de mixagem de um álbum, deverá compreender o que esse álbum representa neste momento. É nessa hora que a sua assinatura poderá ser feita, como uma consequência da sua visão de trabalho e das suas escolhas de processamento recorrentes. Mesmo que ocorra uma ampla gama de aspectos técnicos variados, ainda assim, será uma interpretação de mixagem feita por você.

 

3. Uso de templates

Vamos dar um exemplo. Se você utiliza um template de mixagem como ponto de partida:

1) Mude o template de forma constante, sempre buscando melhorias para o seu processo;

2) Altere o template em cada mixagem, a fim de se adequar às necessidades estéticas de cada mix;

3) Caso o gênero musical seja muito diferente, é importante ter variações do mesmo gênero, para que se adequem às diferentes estéticas.

Assim, a principal questão do template é ter um ponto de partida sônico. Por meio dele você poderá ter as opções de processamentos diversos em série e em paralelo, como compressores, equalizadores, reverbs, delays e etc. Para uso, por exemplo, de diferentes ocasiões de bateria, de grupos, de compressores e equalizadores, de reverbs com funções específicas, bem como de várias opções com endereçamentos rápidos.

 

4. Usar ferramentas para fazer variações

Temos diversas ferramentas para aderir punch em uma mixagem. Em uma determinada situação você poderá utilizar o DBX-160 para compressões paralelas do bumbo e da caixa, um 1176, o Distressor ou ainda o plugin da Empirical Labs chamado Arousor. Todas essas são opções para trazer diferentes formas de punch para a sua sessão de percussão.

Mais uma dica: da mesma forma que um engenheiro de mixagem trabalha dentro do universo analógico, como na opção de alteração do seu patchbay, a fim de mandar os sinais para determinados dispositivos, você pode alterar os seus procedimentos na hora que você quiser. Por exemplo: se no seu template a voz mandada para um plate da Lexion, se ele não funcionar para esse fonograma você pode simplesmente alterar a mandada para, por exemplo, um spring mais “vintage”ou um chamber que pareça mais “ao vivo” em um ambiente, e assim por diante.

É com base neste tipo de medida que as estéticas resultantes de aspectos sônicos vão se transformando na história da indústria fonográfica. São ótimos exemplos de processamentos “clássicos” que já fazem parte da memória das pessoas:

– um chamber clássico a la Capitol Studios;

– um plate característico da década de 80 para o som de caixa.

Desse modo, para que você consiga chegar no ponto ideal usando o template, é necessário previamente adquirir experiência técnica para conseguir escolher as suas opções. Da mesma forma, é sempre importante compreender àquelas opções que melhor se adequam para cada estética diferente.

Com um template previamente organizado, fica realmente muito mais fácil trabalhar sem precisar ficar quebrando a cabeça. A ideia geral é esta: se você opta por conseguir chegar em tal sonoridade, mesmo que seja enviando, ou do plugin ou do periférico, apenas deixe o trabalho fluir… o workflow.

 

Garantindo a assinatura pessoal

Basicamente, você conseguirá obter uma assinatura pessoal e uma identidade musical nas suas mixagens utilizando:

– o leque de opções citados anteriormente;
– planejando os templates;
– montando o seu chain e subtraindo  as características estéticas, bem como o seu workflow (aquele processo e forma fluida de trabalhar).

Portanto, evite reinventar a roda! Entenda como o planejamento e o conhecimento básico e técnico são as principais armas para uma boa produção. Ao saber reconhecer a estética dos estilos, dos instrumentos e das sonoridades características e a tradição do uso dos dispositivos, o workflow surge naturalmente.

 

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Um abraço,
Alwin Monteiro

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