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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Quando se chega nas finais de um processo de gravação e mixagem, para alguns pode parecer a proximidade do fim, mas para outros os problemas apenas começaram. A masterização, por exemplo, só poderá ocorrer de forma fluida se todo o processo anterior de mixagem seguiu procedimentos corretos. A questão é que para que o trabalho flua para a próxima etapa, principalmente finalizando mixagem, é preciso saber se estamos no caminho certo ou não.

Provavelmente você já passou pela situação onde, ao mixar a música, ficou sem ter certeza absoluta se o caminho está correto ou se aparenta algo horrível. Geralmente ficamos com a segunda opção. No entanto, às vezes chegamos a este algo “horrível” justamente por pensar demais. O processo deve ter suas decisões orientadas pelas relações pessoais em relação à obra, mas também embasadas no conhecimento prévio sobre mixagem.

O que isso quer dizer?

Significa que se você for iniciante em processo de mixagem, é normal errar. Entender se algo está indo para o caminho certo ou errado, só acontecerá com a aquisição de conhecimento. Eis a fórmula ideal: conhecimento teórico e experiência prática, os dois ingredientes que dão a base do bom trabalho.

Experiência, criatividade e percepção

A experiência vem com a prática e com o suporte de informação. Isso poderá lhe levar à uma experiência suficientemente grande para criar o seu processo de mixagem de uma forma clara e objetiva. Assim, você poderá focar em sua criatividade e saber decidir, por exemplo, dentro dos diversos excelentes sons de caixa, qual é o ideal para a mixagem que você está fazendo.

Outro aspecto importante é sobre a compreensão do material de áudio que acabou de chegar da produção. Se você conhecer, de fato, este material poderá identificar as possibilidades de atingir os limites sônicos. Isso ajuda a evitar tentar obter um som que não seja possível. Esse tipo de prevenção é importante para evitar terminar por fazer o papel de produtor ou intérprete durante a mixagem.

Vale lembrar:

Você vai precisar ser criativo e estar constantemente disposto a treinar. Isso é necessário até que compreenda melhor a forma de tomar decisões e o ponto estético de cada ação na mixagem. Esse é um processo de aprendizado contínuo e infinito.

Muitas vezes, você vai sim precisar tomar ações mais drásticas (e criativas). Para isso é muito importante ter uma boa relação e comunicação com o produtor.

Mixagem é a arte de ouvir a música como um todo, conectando os elementos dela e sabendo dar ênfase a aquilo que o artista e o produtor pensam para a produção, com criatividade. Para conseguir mixar, é essencial ter um um processo fluido sem que ele te leve a pensar demais. Ele precisa ser reativo às necessidade emotivas da música, com ações embasadas em um conhecimento muito bem construído.


 

Finalizando Mixagem: uma consequência

É importante identificar os passos para que saibamos que o nosso workflow realmente está no caminho certo.

Para isso, voltaremos ao passo original: independente de trabalhar com mixagem analógica, híbrida ou digital, a função real da mixagem é a de contribuir com a parte da emoção da música – aquilo que desejamos ouvir. Mixagem vai muito além de simplesmente “balancear” os sons.

Além do feedback estético, você precisa checar o aspecto sônico da mixagem.

Como avaliar?

  • como ela performa em diferentes dispositivos e aspectos críticos da reprodução do público alvo daquela artista;
  • quantidade de imagem stereo adequada à reprodução em diversos dispositivos;
  • resposta de frequência nestes dispositivos e assim por diante;

O aspecto sônico deve ser sempre levado em consideração, independendo do processo ou estágio de mixagem. Já que estamos finalizando mixagem, tudo leva a crer que nos encontramos, portanto, na fase final, ou seja, a mix que representa bem a obra e a interpretação e passa emoção. Devemos tentar sempre atingir o nosso melhor, mesmo que um mês depois, saibamos que poderíamos ter feito melhor ainda. Isso faz parte do aprendizado. Quando ouvimos o fonograma de forma a somente sentir a música e se conectar emocionalmente a ela, é que devemos pensar e realizar as alterações necessárias mas importantes, aquelas que vão dar a cara do projeto.

 

Passo 1: o início, meio e fim

Para compreender melhor o início, o meio e o fim do processo de mixagem, é muito importante que estabeleçamos procedimentos. Para facilitar a sua vida, elaboramos um infográfico com o passo a passo de como finalizar sua mixagem. Isso vai te ajudar a ter uma ideia mais certeira sobre isso.

Neste processo você deve criar pausas para que a sua audição, bem como a percepção emotiva da música, fique constantemente clara. Dessa forma, será possível atingir os mesmos detalhes e enfoque das pessoas que ouvirão o som. De igual modo, é raro acontecer casos de alguém ficar enfatizando ou percebendo algum ponto específico da música ou em um determinado instrumento. Isso costuma acontecer em relação a algum aspecto negativo ou positivo já percebido antes, através de um desdobramento da emoção para um aspecto mais técnico.

 

Passo 2: a percepção emotiva da música

Ter noção da constante visão geral da música e do desdobramento técnico, que costuma vir a partir dessa percepção emotiva música, é que vão lhe dar a ideia, como dizemos antes, do início, do meio e do fim. Mas, para que isso funcione, é muito importante não focar apenas em elementos únicos na mixagem, como solar frequentemente um determinado canal, pois a ideia auditiva do todo poderá se perder.

 

Passo 3: feedbacks

Além de estabelecer um processo, buscar conhecimento técnico e apuramento estético, você precisará se comunicar com os meios externos. Dessa maneira, receberá feedbacks. Pode ser das pessoas que estão trabalhando com você ou por outras que não conhecem seu projeto. Acima de tudo, dê preferência às pessoas que não irão mentir para você. Escolhe quem não se preocupa em lhe agradar, como aquelas mais afastadas que em algum momento fizeram críticas de forma realista e, às vezes, até um pouco duras. O feedback é isso, uma relação externa com o seu trabalho. Por isso, se torna essencialmente benéfico.

 

Passo 4: aspecto sônico

Além do feedback estético, ainda precisamos checar o aspecto sônico da mixagem. Avalie como ela trabalha em diferentes dispositivos e aspectos críticos da reprodução do público alvo de tal músico. Isto se dá pela quantidade de imagem estéreo adequada à reprodução, em diversos dispositivos, pela resposta de frequência nestes dispositivos e alguns outros fatores.

Uma técnica excelente para isso é sempre checar em diferentes dispositivos, tais como:

  • no carro;
  • em dispositivos móveis com alto falantes pequenos;
  • em sistemas de amplificação simples;
  • em caixas multiuso e sistemas de PA.

Se você conseguir testar em dois destes dispositivos, já conseguirá saber se, sonicamente, a sua mixagem será sonicamente bem reproduzida.

 

Conclusão

Vimos que conhecimento teórico e experiência prática são duas faces da mesma moeda. Não existe um mandamento oficial do que é certo ou errado. Saber ouvir, conhecer e perceber aquilo que não está muito adequado ao todo e ao processo original desejado, influenciarão todo o trabalho!

Curtiu o tema finalizando mixagem? Então, inscreva-se em nosso canal no Youtube e fique atento para novos vídeos! Lembre-se também de acessar nosso infográfico com o passo a passo para finalizar sua mixagem.

como finalizar sua mixagem

Um abraço,

Alwin Monteiro

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