Hoje em dia, existem diferentes tipos de equalizador para guitarra. Cada um deles possui diferentes finalidades, para diferentes tipos de guitarra e de gêneros musicais. Você pode estar trabalhando com uma guitarra solo, guitarra rítmica, guitarra base, com timbre velado, power chords. Enfim, para todas elas existem equalizadores que trabalham das mais variadas formas e ajudam a obter o resultado desejado.

Neste texto, veremos sobre a diferença entre cada equalizador para guitarra, respondendo a perguntas como:

– Qual é mais adequado para tal finalidade?
– Qual equalizador casa com a estética que eu pretendo utilizar no meu áudio?

Vamos descobrir!

O texto é embasado no vídeo “Qual Equalizador Usar na Guitarra? – Técnica de Mixagem”, disponível no canal da Ossia no Youtube.

Os diferentes equalizadores

Para os diferentes tipos de guitarra, há diferentes tipos de equalizadores. Neste exemplo do vídeo, temos o channel strip da guitarra. Nele estão insertados cinco tipos diferentes de plugins de equalizadores: o API, o SSL 4000 E, o Pro EQ e dois plugins diferentes, que simula versões do periférico analógico da Pultec, o MEQ5. Estas duas emulações são feitas por duas empresas distintas, mas que simulam o mesmo modelo de dispositivo original. Mas, afinal, quais são as diferenças, entre eles?

 

Puig Tec e Pulsetec (plugins que simulam o dispositivo analógico Pultec MEQ5)

O mais antigo de todos. Ele é um equalizador passivo, que trabalha nas frequências médias. Funciona como um equalizador passivo tradicional, reduzindo toda a estrutura de ganho e depois liberando o sinal em cada uma das bandas do EQ. É possível selecionar a frequência desejada, fazer um bell de equalização retroativa no DIP (retração). Além disso, é possível utilizar o bell de equalização aditiva. Ele diz respeito a um equalizador passivo e que possui três bells diferentes. Por conta disso acaba sendo, do ponto de vista do processo de equalização, aquele que possui a operação mais distinta entre os citados.

Importante!

Por mais que as diferentes versões de plugins simulem o mesmo modelo do MEQ5, ainda assim é fundamental entender que eles podem obter um rendimento operacional muito diferente. Isso porque os dispositivos analógicos emulados podem possuir grande de performance, por conta da idade e por conta do processos de fabricação diferentes além de possíveis variações de componentes eletrônicos.

Além do próprio dispositivo analógico apresentar variações, o processo de modulação do circuito e do rendimento operacional de cada estágio do circuito pode gerar diferenças muito expressivas.

 

Waves API (emulação do API 500A)

Se destaca por ter o poder de trazer as coisas “à frente”, dando uma presença para a guitarra, cortando sobre a mixagem. O som que sai do equalizador é um som com um pouco mais de distorção harmônica total. Isso dá um destaque para os picos em frequências médio agudas. Além de trabalhar com filtros que possuem bandas de frequência bastante largas.

Ele é um equalizador com placa de circuito (solid state), ou seja, usa circuito impresso. Por isso foi lançado como um equalizador muito diferente dos EQs da época, que possuiam cabeamentos ligando a cada componente. Com isso, a amplificação do API é transistorizada, diferentemente das dos EQs, que possuem amplificação valvulada, que ainda eram presentes na década de 60, quando este foi lançado. Nele é possível utilizar os filtros peak ou bell.

Importante!

Por ser um equalizador ativo, ele realiza ganhos em cada um dos filtros de forma independente, tornando-o muito diferente dos equalizadores passivos. Nesta versão da waves a distorção harmônica total e o caráter da simulação do transformador dão uma cara muito bacana para o plugin que se assemelha ao API 550 original.

 

 

Pro EQ

Nativo do Studio One, é um equalizador bastante chapado. Ele é mais utilizado para resolver problemas, cortar frequências e dar boosts. Não necessariamente traz alguma personalidade mais específica para o áudio em si, que não aquilo que é feito no âmbito das frequências. Além disso, ele possui a opção de high quality, o que o aproxima de um equalizador linear. Mesmo assim, ainda há muita diferença entre os equalizadores puramente lineares digitais, como o Fabfilter Pro Q2, e o caráter dos que simulam o analógico, como os outros citados anteriormente.

Diversos equalizadores nativos de diferentes digital audio workstations podem realizar essa função da mesma forma que o Pro EQ realizou neste caso. Controle de frequências e só.

 

SSL 4000E Equalizer

Esse equalizador é famoso em guitarras de rock. Na verdade, este é o equalizador mais famoso da década de 80 e 90. As diferentes linhas de equalizadores da SSL variam um tanto quanto o seu caráter. Elas mudam aspectos operacionais como distorção harmônica total, largura de banda e impedância por filtro.

O SSL 4000 E, por sua vez, emula as variações de impedância que dependem do material que entra pelo input,  considerando o transformador de entrada, a variação de frequências e as frequências do material, como são os transientes e etc.Tudo isso envolvido no circuito específico do SSL 4000 E causa um efeito de profundidade e compressão. Dessa forma, essas características dão ao áudio um punch muito maior que o API, por exemplo. Chega a dar a sensação de que são duas guitarras tocando simultaneamente.

 

Funções de cada equalizador para guitarra

Com um punch maior e com um efeito de profundidade mais forte, o equalizador SSL é bastante indicado para guitarras base, dando efeito de presença e compressão. Porém, quando se fala em guitarra solo, o API acaba sendo mais indicado. Isso acontece porque ele faz com que o solo “corte” bem, tendo bastante intensidade nos filtros que trazem a faixa de frequências chamada de presence. Ele acaba sendo um pouco mais estridente, mas você pode dar certo corpo perto de 200Hz.

Temos também os equalizadores passivos (o PulseTec e o PuigTec), que se diferenciam apenas pelas suas empresas criadoras (Factory e Waves, respectivamente).

Pulse Tec

O PulseTec tem um pouco mais de brilho e low-end, com os médio-agudos e agudos (800Hz – 4kHz) bastante notáveis.

PuigTec

O PuigTec tem mais punch no médio-grave (200Hz – 800Hz) e saturação harmônica um pouco menor que o outro. Porém, em ambos a equalização acaba sendo mais sutil que nos equalizadores ativos.

 

As diferentes estéticas

Existem diferentes estéticas onde a guitarra pode ser utilizada, e cada uma se adapta melhor a uma equalização diferente. Temos a estética da música pop, onde pode se enquadrar, por exemplo, o indie. Nesse caso, a criação de novos sons, muitas vezes passa pela utilização forte de equalizadores. Independentemente deles serem ativos ou passivos, geralmente são aplicados cada um numa guitarra como explicado anteriormente. Sempre vai depender da especificidade do material com o qual você está trabalhando.

Muitas vezes, em um timbre de jazz, por exemplo, os filtros podem ser pouco usados, ocasionalmente aparecendo para “limpar” o som. O engenheiro de mixagem Al Schmitt, por exemplo, mal utiliza equalizadores em sua mixagem. São diversas utilizações que se enquadram nas mais variadas situações. Por isso, cada equalizador melhor se encaixa com uma ou outra estética.

 

Conheça sua estética pretendida

Em grande parte do ensino relacionado à mixagem de som não existe certo ou errado. Por isso, vale a dica: diversas aplicações diferentes para equalizadores diferentes. Uma vez tendo o conhecimento sobre o propósito de cada equalizador, sua mixagem ganha diferentes formas estéticas que podem ser aproveitadas. Seja criativo, conheça a tradição estética à qual você quer se referir e qual dispositivo melhor se enquadra nela.  A partir disso, com a experiencia prática dessas variáveis de cada equipamento, você poderá inovar e mesclar diferentes características ao trabalho e sua mixagem se aproximará daquilo que você deseja.

 

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Um abraço,
Alwin Monteiro