Entrevista com Diego Marx, produtor da Banda Scalene

Todos já sabem do sucesso da Banda Scalene, que graças ao seu enorme potencial, produções de primeira e diversas qualidades musicais que a tornam única, conseguiram um sucesso que a levou ao “main stream” brasileiro através de um programa de elevada audiência da rede globo. Neste, obteve, na maior parte da competição, a primeira posição no ranking geral e a maior votação do público.

banda scalene diego marx

Para quem quer conhecer o que é ser produtor musical independente, trabalhar com artistas e obter ótimo resultado, nosso produtor, Alwin Monteiro, foi conversar com o Diego Marx, produtor da banda Scalene.

Confira a entrevista de Diego Marx:

Ossia: Olá, Diego! Muito obrigado pela entrevista! Acompanhamos seu trabalho na produção musical da banda Scalene. Gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre você, seu trabalho como produtor, a produção da banda Scalene e o mercado musical.

Diego: Claro! Manda brasa!

 

Ossia: Gostaríamos de saber um pouco mais sobre você. Quem é Diego Marx e como começou seu envolvimento com o mercado musical?

Diego: Bem, originalmente eu sou um guitarrista. Toquei alguns anos em uma banda chamada Velhos e Usados e em uma outra banda da cidade chamada Móveis Coloniais de Acaju. Mas acabei caindo na produção depois de algumas frustrações com o mercado, pois, quando comecei a tocar e gravar com a minha banda havia um abismo gigante entre o nosso budget e os orçamentos dos produtores locais. Com isso, acabei assumindo essa frente para os meus projetos e os projetos dos meus amigos.

 

Ossia: Quais seus principais trabalhos e que funções você exerceu neles?

Diego: Acho bem difícil enumerar os “principais” trabalhos… Até porque cada um deles foi altamente importante pro meu crescimento profissional. Mas citando alguns deles;

– Velhos e Usados – Híbrido : Foi minha primeira produção exclusiva e em homestudio.

– Móveis Coloniais de Acajú e Gabriel Thomaz – Vai Thomaz no Acajú – gravei e mixei esse projeto.

– Scalene – Cromático, Real/Surreal e Éter – fiz a produção e gravação dos albuns.


Ossia: Quais projetos musicais você está envolvido atualmente?

Diego: Hoje estou produzindo o terceiro álbum ainda sem nome da banda Trampa, o álbum “Never Trust The Weather” da banda carioca Hover, o quarto álbum também sem nome definitivo do guitarrista geniozinho brasiliense Dillo. Sem contar algumas coisas que ainda estão se desenvolvendo, como o segundo disco do músico Beto Mejia. Fora isso, sou parte da equipe Scalene. E, ainda, estou estruturando uma agência de fomento cultural, na qual produzimos projetos culturais diversos, como turnês, álbuns, DVD’s e até games.

 

Ossia: Quais as principais dificuldades que você teve como produtor musical em Brasilia? No seu ponto de vista, como é o mercado musical da cidade?

Diego: Acredito que as dificuldades de um produtor musical atravessem as barreiras geográficas pois, o produtor depende do trabalho de muita gente, e isso só vai se estruturando com o tempo. Nesse caso, Brasília é um bom lugar para se começar, porque apesar de ser um mercado que gira pouco ou nenhum dinheiro, temos muitos artistas e muita gente disposta a experimentar e aprender.

 

Ossia: Como se iniciou o trabalho com a Scalene? Que características da banda te chamam a atenção?

Diego: Comecei a trabalhar com o Scalene em 2010 quando eles me procuraram pra produzir o então álbum “Cromático”. À princípio me chamou a atenção a idade dos integrantes, e o nível de maturidade profissional que já possuíam. No nível musical, demoramos um pouquinho até nos entender, rs… Na verdade talvez eu tenha demorado um pouco pra entender melhor as referências deles, mas os caras são sensacionais. Lembro que, em 2011 na pré-produção do álbum Real/Surreal, com algumas músicas já compostas (como Danse Macabre), houve a proposta do Rick Bonadio pra gravar e produzir o disco. Eu e Tomás conversamos um bocado sobre isso, e eu fiquei com uma dorzinha no coração mas torcendo pra que o melhor acontecesse. Se fosse o caso do Bonadio produzir, que ele fizesse um trabalho excelente, que realmente impulsionasse a banda. Mas, por fim, a negociação empacou e acabamos gravando juntos mais uma vez para a minha felicidade. Hoje é tanta coisa que me chama a atenção, que fica difícil enumerar algumas…

 

Ossia: Há um vídeo no canal oficial da banda Scalene mostrando os processos de gravação do álbum Real/Surreal, em que você participou. Que papéis você assumiu na produção do álbum? Participou como um produtor musical, arranjador, engenheiro de gravação, engenheiro de mixagem?

Diego: Temos um processo bem definido nesse sentido. Fazemos uma pré-produção, definindo estruturas, melodias, levadas e etc. Já na gravação, os papéis de engenheiro e produtor se misturam, assumo a escolha dos timbres, sugestões de arranjos,  alguns retoques de letra, programações eletrônicas e etc, mas detesto operar DAWs, acho que divide a atenção. Já na mixagem e masterização do Ricardo Ponte, acompanho sugerindo mudanças.

 

Ossia: Observamos no vídeo da produção do álbum Real/Surreal que as gravações foram realizadas em um ambiente caseiro: quartos pequenos, sem muito tratamento acústico, colchões espalhados, monitoração near-field. Como você enxerga esta mudança de paradigma das gravações serem cada vez mais realizadas em homestudios?

Diego: Acredito que cada vez mais a gravação está na mão do artista. E, definitivamente, não creio que o equipamento de estúdio seja mais importante do que a composição e interpretação em um fonograma. Claro que, hoje em dia, equipamentos ainda fazem muita diferença. Contudo, a tendência é a tecnologia evoluir para cada vez mais termos ao alcance da mão a possibilidade de captar áudios de alta qualidade. A verdade é que eu acredito muito mais na música do que na gravação.

 

Ossia: De acordo com o vídeo da produção do álbum, as baterias foram gravadas com uma bateria eletrônica e algumas peças acústicas. A mixagem do álbum foi realizada pelo engenheiro de mixagem Ricardo Ponte. Como foi sua relação com ele para atingir a sonoridade que tem a bateria?

Diego: Na verdade, o Ricardo já sabia bem qual era o objetivo. Depois da primeira mix, fomos lapidando aos poucos até alcançar o resultado que queríamos.

 

Ossia: Você é natural de Brasília e trabalha com uma banda local que tem repercussão nacional. Em algum momento você chegou a produzir bandas de outros estados?

Diego: Neste exato momento, com a banda carioca/petropolitana Hover, mas nunca antes disso.

 

Ossia: Como você vê as diferenças de mercado musical entre os estados?

Diego: Eu percebo na verdade um resultado do que foi o Brasil nos últimos anos. Alguns lugares/artistas que ainda se lamentam pelo mercado não ser mais como era, outros que entenderam como o jogo é hoje em dia e estão de fato se virando pra que as coisas aconteçam. Há cidades que ainda vivem sob uma sombra de algo que deu certo ali e permanecem girando em torno do mesmo ponto. E o que vejo é o mercado se movimentar de acordo com o que os artistas propõem, em lugares onde há música boa sendo feita e tocada, o público aparece e o mercado acontece.

 

Ossia: Aqui em Santa Catarina, temos muitas bandas e artistas locais que estão buscando um espaço maior no mercado musical. Com base na sua experiência com a Scalene, que dicas você daria a elas?

Diego: O que tenho dito nesse sentido é um pouco duro. Contudo, é necessário dizer. São 20.000 músicas colocadas diariamente em plataformas digitais, e o posicionamento do artista novo tem que ser de disputa por público mesmo! Seu trabalho precisa ser convincente, ousado e bom o suficiente pra fazer as pessoas desistirem de ouvir o Dark Side of The Moon ou o Jay Z pra ouvirem o seu trabalho.

 

Ossia: Que bandas você acha que atualmente estão traçando um bom caminho?

Diego: Fora Scalene? rs… São muitas. Far From Alaska, Supercombo, Stereophant, Hover, Maglore, Versalle, Wannabe Jalva, Trampa, Boogarins, Apanhador Só… e por aí vai.

 

Ossia: Atualmente, você é um produtor independente ou possui relação com alguma gravadora? No seu ponto de vista, quais são as diferenças entre o trabalho de um produtor independente e um produtor contratado por alguma gravadora?

Diego: Bom, como sou independente e sempre fui só posso dar a minha percepção lidando num processo simbiótico e artístico com os músicos e compositores. Imagino que produtores de gravadoras tenham muito mais gente a quem ele deve satisfação, num processo parecido com o mercado publicitário.

 

Ossia: Você já exerce a profissão de produtor musical há alguns anos. Na sua opinião, qual a importância das editoras e produtoras musicais? É possível, enquanto artista independente, editar e produzir sua própria música?

Diego: Acredito que as editoras e produtoras tem um papel muito importante no network do negócio da música. Quando o trabalho é bem feito, ele pode realmente impulsionar um artista. Mas sim, é possível um artista independente editar e produzir sua própria música, embora eu acredite que isso o desvia do seu papel principal. Que é compor e tocar canções emocionantes!

 

Ossia: Existem discussões recorrentes relativas a questão dos direitos autorais. No mês passado, alterou-se a legislação sobre a forma que o ECAD é fiscalizado. Como você enxerga a questão dos direitos autorais no Brasil?

Diego: A verdade é que apesar de todo o problema que temos de arrecadação no Brasil ainda temos uma das melhores legislações do mundo nesse sentido. Mas acho que aí entra um problema cultural do brasileiro de achar que tudo é responsabilidade do governo. Acredito que o artista precisa ter uma relação muito próxima com sua associação para que seus direitos sejam preservados.

 

Ossia: Tem alguma mensagem que você gostaria de deixar para os músicos e bandas nacionais?

Diego: Não se apeguem. Se seu projeto vai mal de público, se pergunte se é mais provável que seu trabalho não seja tão bom. Ou sim, você é gênio mal compreendido (dica: a resposta nunca é essa). E mais, faça a música que você queria ouvir mas ela ainda não existe! O objetivo é sempre esse!

 


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