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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Você está dando os primeiros passos na sua longa jornada de trabalhos de produção de áudio? Então, este material ajudará  a aprimorar a sua técnica. É possível que em alguns pontos você possa encontrar alguns problemas de entendimentos em relação às terminologias usadas. Agora, se você já está trilhando este caminho há um tempo, este post será útil para algum esclarecimento mais básico de algo que você já domina em relação aos efeitos para mixagem.

Este artigo tem como objetivo familiarizá-lo em relação aos termos e dar alguns exemplos de usos gerais. A maioria das mixagens utilizam muitos efeitos que mencionaremos aqui. Isso acontece porque praticamente todas as mixagens trabalham, de uma forma ou de outra, com efeitos. Mas tudo tem efeito? É claro que também é possível mixar sem efeitos.

Como? Você pode simplesmente fazer a mixagem apenas com a soma dos canais, o equilíbrio da imagem stereo através de controle de balance e pan e volume através de faders de volume. Porém, mesmo assim, os efeitos são ferramentas essenciais para o seu trabalho. Seja na hora de trazer mais brilho, mais punch e profundidad. Você pode trazer essas características com o uso de efeitos através de processamentos em insert ou em paralelo.

É verdade! Aquele compressor que você usa no pedal de guitarra é efeito, o equalizador da mesa é efeito, o delay, reverb, phaser, flanger, chorus, etc. Todos estes são efeitos! Mas, como você já deve ter visto antes, também pode utilizar plugins in the box ou também usufruir de periféricos analógicos. Além, é claro, de poder usar equipamentos na sua própria mixer. Nos referimos àqueles channels strips que fazem parte da mixer como equalizadores, filtros, atenuadores, gates, expanders, compressores limiters ou qualquer dispositivo que se encontre no console, seja ele digital ou analógico.

Muitas pessoas não sabem, mas através de bridges de impedância corretos e adaptações de nível operacional da tensão do sinal de áudio, é possível utilizar pedais de guitarra para mixar. Muitos engenheiros de mixagem como Dave Pensado e Joe Baressi utilizam pedais frequentemente em suas mixagens.

 

Afinal, o que são “efeitos para mixagem”?

Os efeitos para mixagem são processamentos de sinal de áudio analógico e/ou digital usados para diversas funções. Uma das funções é justamente a mixagem. Eles se encontram em muitos formatos e têm características diversas de processamento. Existem diversos projetos de eletrônica digital e analógica com topologias completamente distintas que geram uma enorme variedade de rendimentos operacionais.

Sabemos que estes efeitos mais modernos são resultado da evolução tecnológica das gravações. Desde a década de 1940, os engenheiros de gravação começaram a fazer uso de gravadores de fita para criar os chamados “atrasos”, “ecos” e demais efeitos sonoros.

Os dispositivos analógicos possuem características como presença ou ausência de transformadores, amplificações com transistores, válvulas ou circuitos integrados. Então, em sua enorme variedade de combinações de ligações e de componentes do circuito geram resultados muito diferentes um do outro. Estes equipamentos podem ser manipulados manualmente e, portanto, precisam de ser parametrizados manualmente todas as vezes que se for realizar alguma alteração.

 

Quais aspectos que esses efeitos chegam a mudar?

Operacionalmente os efeitos para mixagem exploram alguns parâmetros básicos do sinal de áudio. Isso acontece através de sinais digitais ou analógicos. Inicialmente podemos segmentar de forma macro os equipamentos da seguinte forma:

  • o digital, Digital Signal Processing (o famoso DSP);
  • o analógico, dos processadores analógicos.

Estes efeitos servem para alterar aspectos específicos do áudio. Alguns dos aspectos básicos que estes efeitos alteram são:

  • Polaridade;
  • Amplitude;
  • Distorção harmônica total;
  • Envelope dinâmico;
  • Amplitude de frequências;
  • Tempo;
  • Noise Floor.

Os diferentes efeitos irão alterar um ou mais aspectos citados a cima de acordo com suas características operacionais.

 

E os processadores de dinâmica?

Os processadores de dinâmica afetam a amplitude de diferentes partes do envelope do sinal de áudio, ou o sinal de áudio como um todo. Essas são ferramentas que possuem parametrizações de tempo de atuação e sensibilidade para que o dispositivo passe a atuar a partir de determinado nível de amplitude do sinal de entrada (input) no dispositivo.

Os dispositivos conhecidos como processadores de dinâmica são:

 

Compressores

Os compressores servem para controlar a amplitude de sinal em sua média quadrática ou em nível de pico.  O compressor atua sobre o sinal de áudio com uma velocidade e com características de redução de ganho específicas. As funções diversas que os compressores tem fazem com que este seja um dos dispositivos com as práticas mais diversas no áudio, seja para dar trazer mais punch através de uma compressão em paralelo ou seja para atenuar os picos de sinal que ultrapassam um determinado limite estabelecido pelo Threshold.  Se você quer saber melhor como é a operação básica de um compressor assista a este vídeo.

 

Limiters

Os limiters são um tipos de processadores de dinâmica projetados para limitar a amplitude de um determinado sinal de áudio, seja em nível de pico ou em nível RMS. Existem diferentes tipos de limiters que trabalham com diferentes formas de detecção e limitação da amplitude dos sinais de áudio.

 

Gate

O gate é um processador de dinâmica que permite que somente o sinal mais forte do que o estabelecido pelo controle de threshold  e só saia pelo output do dispositivo. Assim, ele segura todos os sinais mais fracos atuando com um tempo específico de attack e release.

 

Expanders

Com uma função semelhante ao gate o expander faz com que tenhamos uma diferença dinâmica ainda maior entre os sinais mais fracos e os sinais mais fortes aplicando uma redução de ganho nos sinais que não ultrapassam o limite do Threshold de acordo com os tempos de attack e release.

 

Distortion

Os efeitos de distorção são excelentes para recriar o som harmonicamente agradável daquele tipo de distorção analógica ou mesmo digital. Os efeitos de distorção ou de saturação costumam simular o som criado por amplificadores valvulados, transistors, amplificadores operacionais, distorção criadas por fitas analógicas e até mesmo distorções digitais.

Todos os dispositivos que possuem amplificação e circuitos analógicos possuem um determinado nível de distorção harmônica total. Ela vai além da distorção característica destes dispositivos e do uso de muita amplificação dos mesmos. É possível obter distorções também através de equipamentos criados simplesmente para distorcer o sinal, como overdrivers, saturadores e clippers.

 

Efeitos de atraso

Os efeitos de mixagem baseados no tempo atrasam o sinal e replicam este sinal atrasado junto ao sinal original. São frequentemente usados para moldar a profundidade e a dimensão dos sons dentro de uma mixagem. Os efeitos de atraso mais tradicionais são o delay e o reverb. Eles podem ser produzidos de inúmeras formas diferentes e agregados a outros efeitos diversos.

 

Filters Effects

Os efeitos de filtro ou filters effects são ferramentas de áudio simples e onipresentes que devem fazer parte do arsenal de todo produtor. A finalidade, basicamente, é de alterar o conteúdo de frequência de um sinal de áudio, enfatizar ou suprimir frequências indesejadas e modificar o áudio de forma criativa. Há uma variedade de tipos de filtros, como: lowpass, highpass, bandpass, notch e morphing filters.

 

Modulation Effects

Os efeitos de modulação são mais complexos e costumam ser usados para acrescentar mais movimento e mais profundidade aos sons. Os efeitos de modulação derivam do mesmo conceito básico:

  • alterações nas fases do sinal em diferentes frequências;
  • alterações de afinação e em alguns destes processadores (chorus e flanger);
  • os sinais são modulados de forma atrasada (com delay) e são mixados ao sinal original.

Os efeitos de modulação mais conhecidos são:

  • chorus;
  • flanger;
  • phaser;
  • ring modulator.

Efeitos de pitch

Os efeitos típicos de pitch e de tempo modificam o tom ou nota de um som específico. Eles acrescentam novas frequências a um sinal, seja por oitavas ou por intervalos de alterações. Muitas vezes esses efeitos são somados aos efeitos de modulação de fases já mencionados. Por exemplo: um harmonizer é um tipo de pitch shifter que combina uma frequência deslocada temporalmente e com a afinação alterada com o sinal original. Criando assim duas ou mais harmonias entre diferentes alturas.

 

O que esses compressores de dinâmicas fazem exatamente?

Eles alteram a amplitude do sinal através do envelope do transiente. Isso significa que terminam por afetar o ataque, o decay, o sustain e o release. Essa ação modifica de forma muito rápida a amplitude de cada parte destes transientes.

Vamos ver, por exemplo, no seguinte caso: se o sinal possui um transiente muito acentuado, às vezes, pode ocorrer de afetar apenas a amplitude de algumas partes de transientes ou de apenas um ou outro transiente. Por esta razão, esses processadores de dinâmica alteram a características do sinal se comportando de uma forma muito variada dependente da parametrização do compressor e do material que ele recebe no input.

Além de afetar os envelopes de transientes, todos os equipamentos trazem características de THD e mudança de impedância. Isso implica na adesão de harmônicos ao sinal e na mudança da resposta de frequência. Em dispositivos analógicos e emulações digitais da topologia dos mesmos, essas características ficam muito mais claras e se tornam ferramentas artísticas para o engenheiro de mixagem.

 

A função do equalizador, qual é?

Equalizadores são compostos de filtros, ou seja são ferramentas que possibilitam que alteremos as amplitudes do sinal por faixa de frequência. Originalmente surgiram de projetos que somavam diversos filtros passivos. Neles a amplitude total do sinal é reduzida e cada filtro, quando aberto, reduzia a ação de atenuação em cada faixa de frequências onde ele atuava.

Posteriormente, os equalizadores com filtros ativos trabalhavam com reduções e amplificações de faixas de frequência. Eles fazem isso através de “negative feedback”, onde frequências específicas podem ser precisamente selecionadas e o “THD” (distorção harmônica total) foi significativamente reduzido.

 

As vantagens dos efeitos para mixagem

Tome cuidado: muitas vezes você pode entrar num problema sem fim. Isso por não saber para que serve afinal e de que modo eles afetam o seu sinal de áudio original. Por esta razão mencionamos lá no começo do texto os aspectos (ou pelo menos alguns dos aspectos) que podem ser afetados por efeitos de processamentos de sinais. Isso envolve tanto in the box quanto equipamentos analógicos.

Há um grande problema se você não souber utilizar esses equipamentos e não estiver compreendendo para que eles servem. Com isso, fica difícil trabalhar com eles na sua mixagem de forma criativa. Mesmo para colocar mais saturação aqui e mais compressão acolá é necessário compreender estes funcionamentos e processos.

Cada tipo de efeito manipula e modula o sinal ao longo do tempo de maneira única. O resultado destes processos fazem toda a diferença no seu trabalho final. Por exemplo, os efeitos de modulação são mais complexos do que outros e costumam ser usados ​​para acrescentar movimento e profundidade aos sons. Portanto, se você não está conseguindo atribuir na sua cadeia original de sinal a geração do efeito desejado, que está na sua cabeça, tente compreender onde está o problema.

Agora que você está por dentro dos efeitos para mixagem, aproveite para conhecer nosso Guia Definitivo para montar um Home Studio.

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Um abraço,
Alwin Monteiro

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