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Críticas nunca são fáceis de serem recebidas. Qualquer crítica musical pode acabar frustrando a carreira de alguém, mas quer saber de uma coisa? Elas são plenamente necessárias e uma hora você irá acabar recebendo uma. Avaliações são parte do crescimento de qualquer profissional, pois o feedback pode muitas vezes fazer você cortar caminho ou mesmo para de ir na direção contrária.

Obviamente há meios de se blindar para entender que tipo de crítica é válida e como ela deve ser interpretada. De onde vem a crítica é outro fator importante a se levar em conta, tanto no qualitativo quanto no quantitativo. Embora o número de pessoas será provavelmente o seu maior norte de referência, especialistas sempre têm com o que contribuir nessa hora.

Enfim, vamos ver agora então quais os cuidados na hora de encarar uma crítica musical e como você deve reagir à análise da sua mixagem?

 

 

Preste atenção no contexto

Uma crítica musical pode vir de diferentes lugares. Muitos aspectos da mixagem e da música, em geral, são subjetivos. Isso implica em cada pessoa possuir uma diferente percepção para um mesmo som. O contexto conta muito nessas horas, pois o que a pessoa costuma ouvir e até mesmo a bagagem cultural dela influenciam no padrão construído no imaginário.

Procure observar em que tribo musical sua música está inserida. Uma mixagem com muitos graves, priorizando os efeitos de sintetizadores e diminuindo o volume da voz, de modo que ela não salte em volume — quando comparado com outros instrumentos, pode agradar os fãs de música eletrônica, principalmente os que vêm ouvindo Synthwave. Esse estilo procurou resgatar muito da atmosfera de produção dos anos 80.

 

A influência do contexto musical

Esse exemplo é importante para que fique bem claro como o tipo de contexto musical e cultural pode servir de critério para a avaliação do ouvinte. Um fã de música eletrônica não terá a mesma opinião que um fã de música gospel, por exemplo.

 

Busque um feedback amplo

Se no tópico acima falei que você não pode se prender a uma opinião e deve procurar diversificar, justamente para encontrar uma coerência entre a música que você faz e o público que ela mira. A dica agora é ampliar esse público de modo que você consiga validar o feedback, pois assim será possível confirmá-lo ou refutá-lo. É basicamente seguir a receita de um método científico. A pesquisa em larga escala com as análises da sua mixagem irá mostrar de fato qual o perfil do som que você está criando.

 

Ponto de vista profissional

Contar com a opinião de profissionais também é importante em uma etapa de validação. Eles serão aqueles responsáveis por fornecer avaliações mais cirúrgicas. Muitas vezes você pode se ver em um projeto com uma proposta inovadora, o que acaba sendo até mais delicado de avaliar. Nessas horas é preciso ser autêntico, seguir coletando os feedbacks e ser capaz de filtrá-los, pois, mais uma vez, como estamos lidando com critérios subjetivos, todo “feeling” ter a sua parcela de voz na decisão final.

 

Pratique o desapego

Rafael Bittencourt, guitarrista da banda brasileira de heavy metal Angra, explicou que durante as sessões de gravações ele aprendeu que nenhuma música de fato termina. Você simplesmente uma hora desiste. Essas palavras são realmente muito sábias, pois sabemos que no final das contas sempre dá para ir incluindo mais uma coisa ali e aqui. O que não necessariamente é algo bom.

Tempo será um item chave no seu planejamento de mixagem. Todo o processo precisa ser otimizado. Portanto, por mais que experimentos sejam permitidos, é preciso saber identificar quando estiver diante de uma simples correção ou de pura teimosia.

 

Nada melhor que a prática

A prática leva ao aprimoramento. Com a experiência, você verá que muitas das suas mixagens acabarão não vendo a luz do dia. É preciso ter um nivelamento para com a sua obra, e também ser capaz de entender que por mais eficiente que um approach foi em uma mixagem, ele não terá o mesmo resultado em um estilo ou mesmo em uma época diferente.

 

Envie as ideias ruins para a lixeira

Você já ouviu falar na “teoria do cocô bonito”? O autor dela é o psicólogo e consultor de gestão empresarial, Waldez Luis Ludwig. Se você está se perguntando o que raios isso tem haver com o que é mixagem, não é? Pois bem, a teoria em questão fala que de nada adianta melhorar aquilo que já nasceu ruim. O que deve ser feito é jogar fora e começar do zero.

A mesma coisa você deve ter em mente quando começar um projeto e perceber de cara que as coisas não estão andando bem, e o feedback recebido já ter sido o pior possível. Não tenha receio de descartar ideias, elas vêm e vão, mas sua reputação fica. Tenha respeito e zelo com a sua obra. Além de opiniões de terceiros, exerça a autocrítica e passe a enxergar quando algo merece a lixeira e não mais o DAW do seu computador.

 

Case do Metallica

O Metallica é um grande exemplo de banda que teve na mixagem o fator determinante para o sucesso de um álbum. O “Black Album”, lançado em 1991, foi muito aclamado por conta da produção musical. Ela conseguiu reposicionar melhor os vocais no contexto de volume com os outros instrumentos, e manter o peso das guitarras sem “sujá-las” tanto. Isso permitiu que a banda alcançasse um público maior, mantendo-se ainda uma banda grande dentro do seu nicho de música.

Já o lançamento de 2003, “St. Anger”, também chamou a atenção pela produção musical, só que dessa vez negativamente. A bateria sem graves e a guitarra pouco arranjada foram os principais motivos de baixa reputação do álbum.

 

Lembre-se sempre:

A crítica musical tem um papel a desempenhar. Ninguém é imune a ela, porém somente poucos aprendem com a crítica. Uma produção musical em seu amplo significado precisa ser fortalecida com critérios, colaborações e, de novo, críticas.

 

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Um abraço,
Alwin Monteiro

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