Criando Beat de Hip Hop – Drum Machine

Se você já quis criar beats, deve ter ouvido falar em Drum Machines, certo? Além de uma opção incrível que encontramos no Hip Hop e no Pop, seus timbres são o assunto do nosso post de hoje! 🙂

Drum Machines

Você provavelmente já teve algum contato com sequenciadores MIDI no computador, com piano roll e/ou step sequencer. A ideia destas interfaces de controle MIDI veio justamente dos sintetizadores e das “Drum Machines”.

As Drum Machines são sequenciadores rítmicos polifônicos usados para percussão. Elas são o início do que hoje chamamos de bateria eletrônica.

História do uso das Drum Machines

Elas começaram a ser desenvolvidas a partir da década de 30 e se consolidaram somente nas décadas de 70 e 80, quando surgiram as primeiras “Drum Machines Programáveis”. Nesta época, o uso de Drum Machines começou a superar a barreira estética dos timbres e, também, a usabilidade prática, sendo aplicada em diferentes gêneros. Veja um exemplo:

“Phil Collins usando a drum machine projetada em 1980 chamada Linn LM-1”

A percussão do Hip Hop surgiu quase que exclusivamente de “sampleamentos” de músicas gravadas, até que, em 1981, a primeira gravação de Hip hop com drum machines atingiu grande sucesso, com a música “Planet Rock”, de Afrika Bambaataa & the Soulsonic Force. Eles usaram a drum machine TR-808, da Roland, e criaram uma vertente musical que sai do Funk e do Hip Hop, chamada de “Electro Funk”.

Drum Machine da Roland

Essa Drum Machine foi uma grande inovação e consolidou o uso de Drum Machines em Hip Hop. Muitos gêneros musicais ainda tinham grandes restrições quanto ao uso de  Drum Machines, a ponto de a Roland parar de fabricar o Roland TR-808 por poucas vendas.

fonte: http://www.rolandus.com/blog/wp-content/uploads/2014/02/tr-808.png em 22/03/17

fonte: http://www.rolandus.com/blog/wp-content/uploads/2014/02/tr-808.png em 22/03/17

Sua principal reclamação na época foi a artificialidade dos timbres. No ano seguinte, com o desenvolvimento dos semicondutores, a indústria deu outro passo no desenvolvimento de  parâmetros de manipulação das informações de áudio, ao ponto dos timbre se tornaram mais flexíveis e “realistas” que foram aplicados na outra Drum Machine, o modelo TR-909.

fonte: http://theprodigy.info/equipment/images/roland_tr-909.png em 22/03/17

fonte: http://theprodigy.info/equipment/images/roland_tr-909.png em 22/03/17

A Consolidação da Drum Machine:

Logo quando Roland começou a parar a fabricação das TR-808, Marvin Gaye lançou um outro sucesso fantástico que rompeu o preconceito e ajudou a consolidar os timbres das drum machines como uma assinatura estética, rompendo limites de gênero.

A música chamada “Sexual Healing” foi gravada em 1982 e serviu de referência na quebra de paradigmas para outros vários gêneros, como Pop, Funk, entre outros. Mesmo que outros músicos de Pop e outros gêneros já usassem as Drum Machines, a grande mudança aconteceu a partir dessa obra do Marvin Gaye que iconiza os timbres da TR-808 como clássicos.

O uso de timbres de Drum Machines hoje:

Estes timbres de diferentes Drum Machines tornaram-se tão clássicos que foram extensivamente sampleados e, a partir da década de 90, usados in-the-box por vários produtores. Assim, quando nos referimos a um “kick 808”, falamos de um timbre de kick originalmente sampleado de um TR-808, ou, que se assemelhe esteticamente aos mesmos timbres.

Exemplo de uso do dos Samplers de Drum Machine:

Com os samplers, hoje podemos manipular os timbres e gerar muito mais opções do que os originais Drum Machines da década de 70 e 80. Mesmo algumas práticas que surgiram na década de 90 ainda são extensivamente usadas in-the-box, como a adição de uma sine wave em determinada frequência do som original do bumbo.

Para isso, é adicionado um gerador de frequências em um canal. Este gerador de frequências fica travado com um gate, que recebe sinal da saída do canal do bumbo original através de uma mandada (send).

Ao receber esse sinal, o gate o libera do tone generator, o que permite adição da frequência que define o subgrave. Estes dois sinais, o do tone generator e o do kick original, podem ser enviados a um bus onde são somados e processados.

“Moral da História” 🙂

Estudar a história das diferentes formas de produzir nos dá a possibilidade de fazer referências e, se trabalharmos de forma inventiva, podemos inovar sem ser incoerente com a cultura musical para a qual estamos produzindo. O maior exemplo disso são os próprios DJs no começo do scratch, que faziam mixes de diferentes álbuns para colocar o “break down” de seus beats, usando diversos gêneros musicais do rock psicodélico e funk ao jazz.

Agora é sua vez de experimentar e criar seus timbres e músicas! Depois, só compartilhar com o pessoal em nosso grupo no Facebook. Nos vemos lá!

Um abraço!

Alwin Monteiro


Quer ter um Home Studio? Conheça o Guia Definitivo para Montar Seu Home Studio Profissional e economize na hora de montar o seu. 😉

Faça parte do nosso grupo Áudio: Teoria e Prática.

Inscreva-se em nosso Canal no Youtube!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *