COMPRESSOR FAIRCHILD 670 – MIXANDO VOZ #4

Hoje, na nossa série Mixando Voz, eu vou falar sobre o compressor que algumas pessoas chamam de  “cálice sagrado” da compressão. Vamos desdobrar cada detalhe técnico de uma forma simples para que você consiga entender esta ferramenta, imaginar e testar diferentes usos dela em diferentes situações de suas mixagens.

Confira o Vídeo:

 

Fairchild 670

História do Fairchild

O Fairchild 670 foi inventado no começo da década de 50 por Rein Narma. Rein Narma foi um engenheiro que fabricava consoles analógicos para diversas pessoas, dentre eles, o famoso Les Paul. Inspirado por seus clientes e pela necessidade do mercado de ter um compressor que tivesse um som considerado “natural e cristalino”, Narma criou a Fairchild Recording Equipment Corporation.

O Fairchild foi usado na masterização de vinil e logo transitou para outras práticas, sendo usado na gravação, na mixagem e ao vivo em diversas ocasiões.

 

Seu uso no Vocal Chain

Utilizei o plugin da Waves, chamado Puigchild 660. Apesar do número 660, este plugin foi feito baseado no canal “L” de um Fairchild 670 original usado por Jack Joseph Puig (daí o nome, Puigchild).

Os compressores valvulados da época precisavam de um certo tempo para atingir o seu auge operacional por conta da temperatura das válvulas e, a partir daí, tinham uma queda de rendimento dada pela instabilidade do circuito. Segundo Joseph Puig, o plugin foi feito baseado no momento em que o seu Fairchild 670 original atingia o auge de sua performance.

O propósito de usar este compressor no vocal chain é trazer mais compressão e presença às frequências médias e médio agudas. A ideia era deixar as frequências altas passarem sem serem afetadas pela compressão, permitindo que elas tenham variação de dinâmica, ao passo que as frequências médias fiquem mais constantes e equilibradas no output deste compressor.

Para entender o porquê dessas características vamos dar uma olhada mais profunda no circuito.

 

Características técnicas do Fairchild 670

A tecnologia que temos hoje permite que um som “natural e cristalino” seja comum entre diferentes limiters e compressores, mas, na época, era necessário um design complexo. No caso do Fairchild 670, em seu design original, foram usadas 20 válvulas com 30 sistemas e 11 transformadores.

O Fairchild usa o que chamamos de circuito de feedback, ou seja, ele tem um estágio de amplificação valvulada logo após o transformador de entrada. Assim, após este primeiro amplificador, ele envia o sinal diretamente para o transformador de saída e para o circuito de side-chain, onde está a célula de detecção e compressão, que é, nada mais nada menos, um outro amplificador valvulado.

Modelo de Circuito de Feedback

Modelo de Circuito de Feedback

 

O Fairchild 670 é o que chamamos de “Variable Mu Compressor”, que significa que a média quadrática de sinal (RMS) resultante da compressão varia de acordo com o sinal do input, ou seja, dependendo da quantidade de peaks que temos por espaço de tempo e da intensidade deles, os tempos e a quantidade de redução de ganho variam.

Isso acontece devido à forma como ele usa as válvulas para realizar a amplificação e a redução de ganho. No caso do Fairchild 670, a redução de ganho acontece com um controle de tensão que eleva a tensão a níveis muito altos mesmo para um compressor valvulado. Essa célula funciona com quatro válvulas 6368 com triodo duplo, o que faz com que metade do controle de amplificação fique sobre esse circuito que combina 4 desses triodos conectados em paralelo.

Válvulas e Transformadores do Fairchild 670

Válvulas e transformadores do Fairchild 670. Imagem de www.soundonsound.com

Válvulas e transformadores do Fairchild 670. Imagem de www.soundonsound.com

 

Um elemento fundamental para o timbre e para a compressão do Fairchild 670 é o seu transformador de entrada. Na década de 50, os transformadores usados no áudio não eram transformadores com resposta de frequência linear, o que faz com que a compressão por faixa de frequência seja diferente. No caso do Fairchild 670, mais frequências médias são afetadas pela compressão do que as frequências hiper agudas e subgraves, além de, por conta do transformador de saída, algumas frequências hiper agudas, acima de 15kHz sofrem uma redução gradativa.

Transformadores Originais do Fairchild 670

Transformadores originais do Fairchild 670. Imagem de http://www.fairchild-recording-equipment.com/styled-14/index.html

Transformadores originais do Fairchild 670. Imagem de http://www.fairchild-recording-equipment.com/styled-14/index.html

O 670 possui dois canais que podem ser parametrizados para comprimir de forma dependente ou independente. Esses dois canais podem gerar uma representação do sinal do tipo L/R (esquerda e direita) ou M/S (meio e lado), permitindo que tenhamos diferentes tempos, knees, thresholds e reduções de ganho para cada canal.

 

Usando o Fairchild 670

 

Controle de input gain:

O knoob de input controla o amplificador de entrada, fazendo com que mais sinal vá para o output e para a célula de detecção e compressão. O knoob de input é parametrizável a cada 1 dB, indo de -20dBs à 0dB.

Fairchild 670 Original

Fairchild 670 original. Imagem de www.soundonsound.com

Fairchild 670 original. Imagem de www.soundonsound.com

Threshold:

O Fairchild 670 possui também um knoob individual para o controle do threshold de cada canal. Ele determina o quanto a célula de compressão deve detectar de sinal, vindo do input, e a partir de quanto sinal deve ser comprimido.

 

Tempo do compressor:

O knoob Time Constant determina as parametrizações do tempo da compressão, ou seja, o attack e o release do compressor. É importante lembrar que os tempos de compressão variam de acordo com este knoob, mas também variam de acordo com a posição do input.

 

Posição Attack Release
1 0.2 milisegundos 0.3 segundos
2 0.2 milisegundos 0.8 segundos
3 0.4 milisegundos 2 segundos
4 0.8 milisegundos 5 segundos
5 0.4 milisegundos 2 segundos para peaks individuais e 10 segundos para peaks múltiplos
6 0.2 milisegundos 0.3 segundos para peaks individuais e 10 segundos para peaks múltiplos. 25 segundos para um material  com sinal constante.

 

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