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Saber como começar seu projeto de mixagem engloba diversas questões, principalmente se você for engenheiro de mixagem de primeira viagem. O seu projeto deve ser dividido em duas etapas básicas: a preparação e a mixagem em si.  A partir disso, este texto tratará quais as melhores formas de se criar um norte para você  iniciar seu trabalho.

Texto baseado no vídeo “Como iniciar seu projeto de mixagem”, disponível no Canal da Ossia no Youtube.

 

Primeiro, faça tudo aquilo que não envolve o processo criativo da mixagem. É muito importante você separar um dia para elaborar as tracks e outro para, de fato, mixar. Com esse passo, você evita ficar editando e cortando as tracks durante a mixagem. Tome cuidado para que haja separação do que você faz nessa primeira etapa para a etapa posterior,  que é onde você simplesmente deixa a criatividade fluir e vai fazendo as coisas de forma intuitiva, até mesmo impulsiva. Isso porque suas ações surgem de acordo com a emoção que você acha que precisa na mix.

Também não é indicado fazer a preparação e a mixagem em sequência, pois o ouvido acaba ficando “viciado”, o que atrapalha a fase seguinte, que é a mixagem propriamente dita.

O projeto de mixagem na prática

Divida em três etapas:

1) Exporte os Stems

A primeira etapa é simples, mas fundamental no processo de produção: exportar os stems da forma correta. Você vai pegar todas as tracks que foram exportadas de sua produção e importar elas no seu DAW como arquivo inteiro – (no vídeo, é utilizado o Studio One, mas pode ser feito em qualquer um a sua escolha). Você vai perceber que por ele ter inúmeras partes de arranjo, às vezes acabam tendo várias informações de áudio inúteis.

Por exemplo, se eu tenho informações inúteis no Tone Sample, basta cortar o trecho para que o processador não precise utilizar partes que não agregarão nada a ele. É importante que você “limpe” essa parte da faixa porque os dados vão do seu HD para o cache do processador.

A partir daí, ele irá desenvolver os dados em tempo real; o cache é uma memória bem curta, mas bastante rápida, ou seja, passa muito data por segundo. Com isso, o computador transmitirá dados desnecessários para que o processador leia, o que causa um atraso no trabalho do mesmo.

2) Organize a estrutura de ganho

A segunda etapa prática do seu projeto de mixagem consiste em, basicamente, organizar a estrutura de ganho. É trabalhado, dentro do software, com uma estrutura de 32 bits de pontos flutuantes, o que significa que todos os canais estão usando uma profundidade dinâmica maior no cálculo, e assim, conseguem recuperar alguns pontos. O seu conversor, por sua vez, só fará 24 bits e quem realiza toda essa matemática é o software, que utiliza uma ending de 64 bits para que ele consiga ter uma precisão maior de cálculo.

Na sequência, você seleciona em seu software a resolução desejada, podendo utilizar os 32 bits de pontos flutuantes. Desta forma, é necessário que você consiga construir bem sua estrutura de ganho e faça todos os endereçamentos.

Se você utilizar 32 bits de pontos flutuantes, você terá mais headroom em cada um dos canais. Quando eles somarem num bus específico, por exemplo, um subgrupo, é possível baixar um pouco a amplitude do sinal no fader. Assim, ele vai recuperar todos os cálculos da profundidade de bits e fazer com que esse clipping digital não fique aparente.

Por isso, todos os seus endereçamentos e tudo que você pretende usar na mix já tem que estar bastante claros para esse ponto fluir perfeitamente.

3) Escolha as ferramentas

Por fim, para dar início ao seu projeto de mixagem, o terceiro ponto é justamente conseguir escolher as ferramentas certas para cada função desejada. Na hora da montagem, você precisa saber qual tipo de compressor e qual tipo de equalizador será utilizado. No exemplo do vídeo, o subgrupo “C” é o local onde são enviadas todas as saídas de guitarra, e lá é usado um compressor e um equalizador ao gosto de quem está mixando.

Toda essa estrutura: selecionar qual compressor paralelo vai em cada lugar; qual vai no subgrupo; qual tipo de equalizador; se terá um exciter; qual tipo de compressor será utilizado no seu mix bus; e tudo mais, depende de conhecimento e experiência do engenheiro de mixagem.

Um aspecto valioso quando se vai montar a estrutura do ganho, é entender o quanto de input – ou como cada plugin entende o input, ou nível RMS. É possível fazer um teste para monitorar o input de cada plugin. No vídeo, é utilizado um Tone Generator em level -18 antes do Dbx 160. Com isso,  a quantidade de input do Dbx é controlada – ele vai para exatamente 0dB (ou +4 dBu). A partir daí, os  plugins se comportam de maneiras diferentes.

A melhor forma de iniciar seu projeto de mixagem é com planejamento, organização e conhecimento dos plugins que você tem em mãos dentro de seu DAW. Saber como eles conversam entre si, qual a melhor aplicação para cada compressor e equalizador… Já é um largo passo para que o resultado desejado seja alcançado. Experimentação e trabalho duro.

Para entender um pouco mais sobre os detalhes abordados no vídeo – como os compressores usados para a aplicação do exemplo específico –, clique aqui.

Apesar dessas dicas, é comum que você tenha dúvidas ou cometa alguns deslizes. Para evitar ao máximo efeitos indesejáveis, baixe o infográfico: “3 erros na mixagem que te fazem parecer um amador”.

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