Como Fazer Segunda Voz (Backing Vocal) como Daft Punk

O efeito tipo Daft Punk se tornou bem conhecido no mundo das gravações graças aos trabalhos eletrônicos Kraftwerk e é claro, do Daft Punk. Aquele sonzinho de característica e timbre robótico que foi aplicado à voz e também nos backing vocals continua maravilhando todo mundo, como na música “Harder Better Faster”.

Mas beleza, como fazer segunda voz estilo Daft Punk para quem quer iniciar sua produção musical em casa ou em estúdio? Vamos aprender a usá-lo?

 

Como fazer segunda voz ao estilo “Daft Punk”

Bom, esse efeito ainda é para alguns do mundo da produção musical um verdadeiro enigma. Por que? Parece simples chegar até a perfeição de como era feito esse efeito nos clássicos do Daft Punk. Mas, com a grande quantidade de plugins, sintetizadores e programas de produção musical, tem se tornado um pouco mais difícil chegar a uma escolha e caminhos ideais. Assim, vamos às dicas:

Primeiro passo: iniciar com uma track de áudio

Certo, o primeiro passo podemos iniciar com uma track de áudio. Nós iremos precisar de uma track de midi, por onde vamos mandar os acordes com estas informações midi diretamente para o nosso processador de efeitos. Certo?

Este nosso processador de efeitos deverá estar num canal de efeitos. Neste caso, usaremos apenas três canais:

  • Canal com a informação da voz com a track;
  • Canal com o midi;
  • Canal com o processador de efeitos e, neste caso, existem outros plugins que você pode usar para chegar a efeitos de modulação de fase e pitch, além de síntese aditiva como o Morphoder da Waves e o “Vocodex” da Image Line, assim como o VocalSynth, da iIzotope.

Segundo passo: usando o canal de efeitos do iZotope

Assim, teremos o seguinte percurso:

Vamos mandar esse sinal em paralelo com o canal de voz (realizar um send), onde nós já temos a informação da voz que foi gravada para que ele mande (em paralelo) diretamente para o canal de efeito, neste caso, para o iZotope VocalSynth.

Entendido este passo, é importante lembrar que, além de mandar esse canal para o iZotope, teremos também de enviar esse outro canal midi para a saída do canal do VocalSynth, sempre direcionando-a nas próprias saídas do canal. Aqui, não será um send, diferente do outro canal, justamente porque nós não temos aqui um send midi.

Desta forma, mandamos o canal para a saída do VocalSynth. É importante que a informação que está gravada ou está o input da sua track de áudio, onde está a voz, poderá gravá-la simultaneamente.

Este efeito pode ser usado para fazer harmonização com vozes secundárias diversas.

 

Terceiro passo: harmonizar e sintetizar

Certo, já reordenamos os canais de saída do VocalSynth, agora vamos harmonizar e sintetizar essa voz gravada. A forma de fazer isso é diversa:

Sampler de voz com pitch: você pode usar um diferente sampler de voz com efeito polifônico e tratá-lo assim por diante. Porém, neste exemplo, estamos usando o vocal synth pois já temos em mãos alguns modelos de sintetizadores a qual podemos aplicar diretamente a voz.
Adição de sínteses: vamos adicionar três tipos de síntese – Polyvox, Compuvox e o Talkbox;
Os principais processos feitos aqui são de síntese aditiva e modulação de pitch e fase.

>>> Importante: Para quem não sabe, o Vocoder (e ao contrário do a maioria pensa), não foi ativado e não iremos utilizá-lo pelo fato de que o vocoder do vocal synth não possui uma variação de fase e pitch fácil de controlar..
Pois bem, ademais de enviar esse canal, existe o sinal de voz no canal que está com o vocal synth insertado. Aqui também podemos enviar aquele outro sinal midi diretamente para o nosso plugin.

 

Fácil? Faça o teste e veja como ficou com ele ligado!
Viu a diferença? Deu para perceber o efeito que ele realiza?

 


O que há nesse efeito?

Simples! Temos aqui o Compuvox. Como gerador de efeitos do VocalSynth, o Compuvox trabalha em cima dos efeitos em áudios digitais, noises e variações de pitch aleatórias criadas por um resample com “erros de clock intensionais”.

Com o Compuvox nós podemos analisar o quanto esse tem de clareza com esses bytes através da sua mensagem in box ao passar o mouse em cima: “increases vocal graves for a winged-animal-man effect”. Ou seja, a voz terá o efeito parecido com a de uma criatura assombrosa.

Vimos que esses são os efeitos processados comumente nos erros digitais e também nos processadores digitais. Com isso, obtemos alteração de voz, de timbre (muito pelo erro de clock) e de  distorção harmônica.

 

Quarto passo: dinâmica e compressores

Seguindo passos anteriores, podemos deixar esse efeito no spell. Assim vamos ter uma clareza na voz, mais pronunciada possível. Isso permite a musicalidade que desejamos. Essa musicalidade é importante ter clareza dependendo do estilo ou da própria dinâmica da música. Damos, como um exemplo, usar o math para que ele permaneça em blocos de transientes, levemente mais proeminentes. Por isso, optamos em usar o spell e não o read (justamente por ser mais “quadrado”).

 

como fazer segunda voz

 

A seguir, trabalhamos com o talkbox. Ele é uma ferramenta bem conhecida, e útil para inúmeros tipos de efeitos de voz, tanto nos gêneros do pop quanto do rock. O talkbox carrega um oscilador, cuja função é acrescer à informação do sinal, tanto pelo drive quanto pelo speaker. Isso fará com que aconteça uma melhor compressão da válvula e clareza.

Novamente, o VocalSynth é bom nisso. Como informação adicional, sempre ao passar o mouse em cima dos operadores, aparece o box, e neste caso do talkbox: “amount of the pre-tube compression driver emulation“.

Agora, no Polyvox temos uma outra característica: mudanças de variação de pitch e de tempo da voz. Desta forma, aqui aparece o formant como surge no box: “shifts the formants between deeper voiced and higher, chipmunk-style sounds“. Isto quer dizer que: o formant trabalha com os harmônicos que aparecem acima da voz alta e os redirecionará para uma leve distorção. Assim, garantirá um pouco mais de presença nesses harmônicos.

Com o character teremos uma síntese aditiva, pois permitirá trazer mais controle da variação de pitch e de tempo.

Por último, temos o humanizer. Este vem com a variação de tempo e de pitch, mas diferentemente do anterior, não com o rate.

Vamos resumir?

A função destes três (formant, character e humanizer) equivalem à aplicação do sinal, variação e formante do próprio oscilador.

Na verdade, você poderá ouvi-los individualmente, seja pelo Compuvox ou por outro. Por exemplo, pelo Compuvox é possível perceber pelo nosso mixer, o local onde podemos acrescentar mais sinal que desejamos obter, tanto pelo Polyvox quanto pelo Talkbox. Deu pra entender?

como fazer segunda voz

Essa é a explicação básica de como funciona esse efeito à la Daft Punk. Na verdade, existe uma variação de tempo e, justamente por isso, as fases do sinal são alteradas, assim como também pela síntese do formant.

Logo após acrescentar todos estes componentes, juntá-los novamente, vamos conseguir ouvir o efeito como fica no final.

Beleza? Caso você ainda não tenha ficado satisfeito com este resultado de como fazer segunda voz, por qualquer razão que seja, se isto não foi realmente o resultado que você queria, vamos para outra parte.

 

Assumindo os controles

Para controlar diretamente, e botar a mão na massa, é preciso então alterar os acordes. Se você perceber que existe uma polifonia que é determinada pela harmonia automática ou pela enviada através do sinal MIDI, podemos estabelecer o seguinte:

  • se foi mandando esse sinal midi do canal no lugar onde está o painel de notas (acordes no formato de teclado), você poderá ir alterando manualmente a abertura das vozes, modificando-as como desejar;
  • desta forma, adicionando esses outros efeitos, será fácil manipular e abrir todos os efeitos que foram realizados;
  • teremos mais inteligibilidade do conteúdo da letra da música;
  • mais uma dica: faça uma equalização, por exemplo, utilizando mais médio, chegando até uma equalização mais linear. Já que não é interessante para nós que se aumente a diferença de fases entre as diferentes frequências, não é?

Outra coisa importante: você pode cortar essas frequências que possuem ressonância. Isto pode ser feito em razão do tipo de síntese e também da alteração que acontece no processamento de sinal dentro do VocalSynth.

 

Indicações de plugins e compressores

Como forma de evitar que o low-end permaneça se chocando, podemos optar por um highpass-filter a fim de evitar que isso aconteça. Além do highpass filter, podemos comprimir a voz afim de que os transientes das diferentes notas tocadas pela polifonia a ativadas pela MIDI. O efeito da síntese aditiva e da modulação pode gerar algumas variações dinâmicas repentinas em faixas de frequências médias e agudas. Por isso um compressor com um filtro de highpass em sidechain pode contribuir muito.

Outro plugin é o 1073 da Neve Eq. Scheps, que também podemos usar como pré-amplificação, porém sem muitos filtros. Se você desejar, pode usar um spectrum meter a fim de encontrar as frequências que estão sendo afetadas aleatoriamente.. Você também pode usar outros plugins na sua cadeia de sinal para “colorir” ainda mais o sinal processado.

 

Reverbs e processador

Outra dica importante é o uso de reverbs e outros efeitos de atraso em paralelo que trazem um caráter mais semelhante ao usado nestas estéticas. Mais um e, por último, sugestão do Lexicon Mpx-i que possui um interessante reverb e templates bacanas, mesmo vindo apenas com os presets.

Caso você pense em fazer tudo isso em tempo real, o que é possível, saiba que é recomendável utilizar um bom processador que aguente firme essa demanda. Caso contrário, será difícil evitar erros de clock e latência, assim como demais insuficiências, por exemplo, principalmente na reprodução em tempo real. Esses plugins geram uma demanda de processamento durante a reprodução em tempo real muito elevada.

 

Gostou da nossa orientação de “Como fazer vozes à la Daft Punk”?  Estas dicas e mais informações legais você pode sempre ter acesso em nosso blog. Não deixe de acompanhar nossos textos para que você consiga obter os melhores resultados na sua produção musical.

 

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Um abraço!
Alwin Monteiro

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