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Toda semana com conteúdos sobre áudio, música e produção musical.

Se você montou um home studio e decidiu produzir suas músicas, então pode ter descoberto que talvez seja melhor não tentar fazer todo o trabalho sozinho. Mesmo porque, o ideal é que o fonograma passe por uma mixagem profissional e acabe se tornando um ótimo produto musical.

Neste artigo, você vai aprender algumas dicas de como exportar tracks para mixagem. Com isso, saberá facilitar o trabalho do engenheiro de mixagem e sem comprometer a qualidade final da sua música.

Comece pelo básico: o que é mixagem de som?

 

Mixagem é a soma de todas as diferentes informações de áudio que serão fixadas em algum meio. É a primeira etapa a ser feita após o registro dos áudios. Nela, será criada uma relação entre as diferentes tracks de áudio. Isto, a fim de enfatizar e criar um discurso emotivo na música através das técnicas de manipulação de áudio.

Para criar e enfatizar a emoção que o fonograma deve passar, nós fazemos diversos processamentos de sinal. Estes,  muitas vezes, usam equalizadores, processadores dinâmicos diversos, efeitos de atraso e repetição, outros efeitos de manipulação fases e efeitos de saturação harmônica.

 

Escolha bem os áudios que serão usados na mixagem

 

Antes mesmo de começar a obter as faixas no formato e entender como exportar tracks, é preciso saber algumas coisas que podem evitar que você perca tempo e tenha despesas adicionais. Se os engenheiros de mixagem tiverem de realizar trabalho extra para realizar tarefas, além das que já são associadas à mixagem, podem cobrar mais por isso.

Então, envie somente os áudios que você deseja incluir na gravação. A classificação e a compilação não fazem parte do processo de mixagem. Isso é algo que deve ser feito pelo artista ou produtor musical. E, também, que deve ser realizado antes de enviar ao engenheiro de mixagem.

Por isso, escolha bem quais takes que você deve realmente enviar para compor a mixagem final. O trabalho do engenheiro de mixagem não é o trabalho de editor de áudio. Ele precisa receber os stems (tracks de áudio) já do jeito que você deseja que entrem na track final.

 

Faça as edições necessárias

 

Este item se relaciona um pouco com o anterior. Você não deve enviar nada ao engenheiro de mixagem que não queira incluir na gravação final.

Entretanto, esse ponto se relaciona à remoção de:

  • ruídos;
  • edições desleixadas;
  • clicks;
  • chiados (principalmente os que se encontram no início e no final da faixa), entre outros.

Ao evitar o envio de partes indesejadas no áudio, a mixagem será mais rápida e eficiente. Se o engenheiro precisa voltar e fazer alterações de edição de áudio, ele terá que conversar com o responsável pela produção e dizer: “Você quer que eu adicione um valor e edite ou você irá me reenviar os stems?”

 

Evite fazer conversão de samples antes de saber como exportar tracks

 

Essa conversão, se for necessária, só deve ser feita pelo engenheiro de mixagem, pois ele é o profissional que tem conhecimento de qual software ou hardware é o mais indicado para realizar a conversão de sample-rate (frequência de amostragem); que pode ser de 96khz para 44.1kHz, por exemplo. Esse técnico conhece, inclusive, quais são os prós e os contras de cada modelo disponível.

De maneira geral, é bom ter um sample-rate alto para enviar ao engenheiro de mixagem. Ter a sua gravação realizada em sample rates mais elevados pode auxiliar quando houver uma redução desta taxa de amostragem, ao invés do oposto que compromete os arquivos e não é recomendável.

 

Garanta correção de pitch e de velocidade dos áudios

 

Atualmente, a busca pela perfeição faz com que tudo seja exageradamente editado. A correção de tempo e a correção de afinação velocidade ou qualquer outra mudança de pitch devem ser feitas durante o processo de edição. Fique atento para ver se tudo isso foi feito de forma precisa.

Se você estiver inseguro ao executar quaisquer técnicas de edição, é preferível que você se informe com o engenheiro de mixagem e peça recomendações quanto a quem poderá fazer este trabalho. Muitas vezes o próprio engenheiro irá lhe passar um valor adicional para editar as tracks e outras vezes ele irá lhe passar uma recomendação de editor. Assim tudo fica mais claro e cada um faz a sua função. É realmente ruim ir mixar com stems que ainda não estão prontos.

Quando for realizar suas edições, cuide para que cada detalhe seja pensado. Evite usar ferramentas automáticas e agir sem ouvir e sem monitorar constantemente. Às vezes, se colocarmos algo perfeitamente no tempo ou se afinarmos exageradamente uma voz, pode soar estranho. Tanto por soar muito mecânico como também por soar muito artificial e com alguns problemas de processamentos errôneos, resultantes de exageros, feitos no áudio digital.

 

Desligue todos os processamentos e efeitos

 

Outro ponto fundamental sobre como exportar tracks é não enviar ao seu engenheiro de mixagem tracks que já passaram por processamento ou inserção de efeitos. A não ser que seja uma parte essencial que precisa estar na música – como acontece com música eletrônica, por exemplo.

Se você não tiver certeza de que aqueles processamentos realizados na produção das tracks, compressões  e equalizadores estão lhe direcionando mais para o resultado final da produção fonográfica, você deve retirá-los da sua cadeia de processamento. Do contrário, mantenha-os lá para já ir em direção ao resultado final. Processamentos muito drásticos de compressão e equalização são difíceis de serem retomados. Se você os fizer, faça quanto tiver certeza. É nesses casos que a experiência determina bastante a sua tomada de decisão.

Quando fizer questão de aplicar efeitos de atraso (delays e reversb) em determinadas tracks, já na produção, você pode aplicar estes em um canal paralelo, através de um send. Depois, exportar este efeito em paralelo para o engenheiro de mixagem poder trabalhar com o balanço da quantidade de efeitos ou até mesmo aplicar outros efeitos que trarão a sensação que você deseja mais do que os efeitos que você já aplicou.

Às vezes, esses efeitos podem ser aplicados no próprio insert. Porém, é fundamental que você saiba quando estes sinais forem comprimidos ou equalizados o reverb deles também será e isso pode limitar o engenheiro de realizar compressões e equalizações que às vezes contribuem para o fonograma.

 

Nomeie os seus stems da forma adequada

 

Há casos em que o profissional de mixagem precisa trabalhar em um projeto que possui mais de 100 faixas para mixar – ou misturar. Agora, imagine fazer isso contando com arquivos com nomes como “áudio01”, “áudio02”, “áudio03”, etc. Isso beira o impossível!

Então, tenha o cuidado de nomear todos os arquivos com nomes significativos e que possam ser úteis para a mixagem, para que o profissional consiga identificá-los facilmente. Nomeando suas faixas de maneira correta, você estará facilitando o trabalho do engenheiro de mixagem. Assim ele poderá ter mais tempo disponível para adicionar características que o seu fonograma precisa.

 

Faça a exportação das faixas

 

Finalmente, chegamos à parte final, onde acontece a consolidação da exportação das tracks. Caso o seu engenheiro de mixagem não esteja trabalhando com o mesmo software que você esteja usando, os arquivos de áudio que você enviar devem estar separados para cada faixa (stems). Isso garante que todos os arquivos comecem no mesmo ponto no tempo.

Dessa maneira, o profissional de mixagem poderá importar as faixas para o próprio software e alinhá-las no mesmo timing. Isso garante que tudo seja reproduzido adequadamente.

Ao organizar cada faixa e exportar todo o projeto para uma nova pasta, com apenas os arquivos de áudio recentemente consolidados, evita o envio de arquivos errados e de ideias que nem se quer foram usadas ao final da produção.

Quando estiver exportando as faixas para mixagem, você precisa ter certeza de que sabe como o seu software funciona. Também, precisa saber se as inserções de outros processamentos serão ou não adicionados na renderização. Você pode conhecer as informações sobre como seu software funciona de forma simples: lendo manuais de usuários que ficam disponíveis online.

Por meio deste artigo, esperamos que você tenha conseguido criar uma ideia geral de como exportar tracks para o processo de mixagem.

Para mais informações, conheça o Curso Online Por Dentro da Mix, sobre gravação e mixagem. Nele, você poderá aprender várias técnicas de mixagem, manuseio de equipamentos, guias estruturais básicos e muito mais.

 

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Um abraço!
Alwin Monteiro

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