Coldplay – Viva La Vida: Por Trás dos Grandes Álbuns #3

Fala galera, beleza? Aqui quem fala é o Léo, mais novo membro da equipe OSSIA, e hoje venho aqui conversar com vocês sobre o álbum Viva la Vida or Death and All His Friends do Coldplay. Como foi gravado? Quem produziu? Onde? Quando? Vamos para mais um Por Trás dos Grandes Álbuns!

Por Trás dos Grandes Álbuns: Viva la Vida – Coldplay

Esse álbum é, sem dúvidas, uma das maiores marcas do Coldplay! Foi quando os caras conquistaram o mundo e conseguiram seu lugar nas playlists mais tocadas, fora o Grammy de música do ano (2009) com a música que dá nome ao álbum “Viva la Vida”.  O álbum com selo da Parlophone com produção de Markus Dravs, Brian Eno, Jon Hopkins e Rik Simpson, começou a ser gravado em junho de 2007 e foi concluído em abril de 2008. 

Seu lançamento ficou para  25 de maio de 2008 e foi um sucesso, faturando $62,175,555 de dólares ainda em 2008, e ocupando o 10 lugar da lista Music Money Makers!

Gravação do Álbum Viva la Vida – Coldplay

Tudo começou no estúdio particular deles em Londres, o The Bakery. É nele onde a banda se junta, tem ideias e foi onde gravaram uma parte desse álbum. A gravação rolou por vários estúdios além do The Bakery, como o The Magic Shop em NY,  The Nunnery em Barcelona, além de alugarem igrejas e hospitais antigos em barcelona para gravar algumas coisas, como os backing vocals.

Equipamentos usados:

Como que os caras gravaram esse álbum? Aparentemente, eles gostam muito de fita, porque o álbum inteiro foi gravado usando essa temática retrô. No The Bakery, eles usam uma TLA 32 canais, que é uma mesa valvulada com boa interface para gravação com fitas. O sistema valvulado desta mesa consiste em válvulas em vários estágios do chain, fazendo com que ela processe qualquer sinal colocado no input em 4 estágios valvulados diferentes.

Mesa TLA 32 canais

Mesa TLA 32 canais

Em entrevista o produtor Rik Simpson conta alguns detalhes sobre as gravações e os equipamentos que foram utilizados, então, vamos por partes:

Nos vocais:

Nos vocais do Coldplay está Chris Martin. As vozes foram gravadas em mais de um estúdio, então houve variação de equipamentos. Chris é um grande fã do Akg 414, que foi usado em algumas gravações, porém o microfone não se adequou bem a todos as salas de gravação que o Chris passou, então foi utilizado também o Shure Sm-7 e o único processamento utilizado nas gravações foi o pre amp 6176 da UA. Este pre foi escolhido particularmente por ser comum nos estúdios onde eles gravaram

6176 UA

6176 UA

AKG 414

AKG 414

Nas Guitarras:

Guitarras! E lembra o lance sobre fitas? Então, foram utilizados microfones de fita e ADIs, mas não existe nenhuma nota falando qual modelo que eles utilizaram, na minha longa pesquisa para escrever esse post me deparei com o set de microfones que é utilizado nos shows ao vivo deles, que consiste em um sm-57 e um Royer SF121 ribbon, que é um microfone de fita.

As Baterias:

E por fim, as baterias. Optaram por fazer algo mais simples, partindo de uma ideia Micro Mono, com poucos microfones, de novo sem detalhe de modelos, mas sabemos que o sinal passava por um UA 1176 antes de chegar na mesa.

1176 UA

1176 UA

Mixagem do Álbum Viva la Vida – Coldplay

Michael Brauer é o cara que mixou o alguns álbuns do Coldplay, incluindo o Viva la Vida.

Esse engenheiro de mixagem é um grande nome da mixagem e trabalhou com muitos artistas grandes do mercado. Ele desenvolveu um método de mixagem tão característico, que hoje é conhecido por Brauerize. Este método consiste no uso de compressores em diferentes busses, onde ele soma diferentes sinais de áudio que possuem diferentes características e finalidades na estrutura do arranjo. Além destes diferentes busses, ele faz um processamento específico da voz, que já já vamos ver.

As músicas 42 e Viva la Vida acabaram sendo mixagens híbridas de Michael Brauer e de Rik Simpson, por uma questão de preferência da banda.

Aí, tem um monte de gente que pergunta “o que é esse tal de mix bus Alwin?
Mix bus é o grupo onde você realiza a soma das diferentes informações de áudio a serem mixadas. E não precisa ser todas as informações pode ser só, por exemplo: “o sinal da bateria toda e do baixo.”

Uso do Mix Bus:

As vezes, engenheiros de mixagem trabalham os seus mix busses como um único canal de soma de toda a mix; outras vezes, criam grupos anteriores onde a soma é feita. Tudo depende da técnica usada para uma determinada finalidade.

Quase todos engenheiros de mixagem, até os mais conservadores usam compressores no seu mix bus. “Ah! Mas Alwin, qual a diferença entre comprimir nos canais independentes e no mix Bus?”

A diferença é que a compressão realizada no mix bus será ativada por todo o material enviado para ele, fazendo com que todo esse material sofra o processamento e acabe tendo características de processamento semelhante.

Mix Bus para Michael Brauer:

Muitas vezes, como no caso do Brauer, este compressor é usado para dar um “glue” nos diferentes instrumentos que vão para os diferentes bussesEle parte da filosofia que não conseguimos escutar mais de 4 materiais complexos ao mesmo tempo em uma música e tendemos a juntar os demais materiais, durante a escuta, formando grupos com funções musicais específicas.

Brauer começou a desenvolver esse método quando a empresa chamada SSL criou a SSL 6000 e os três diferentes busses de soma de canais, pensados para uso em cinema e em broadcast (TV, rádio e etc).

A necessidade de criar esta técnica veio da vontade do Brauer de processar com diferentes compressões em diferentes grupos de instrumentos para que a música pudesse ter diferentes balanços rítmicos e dinâmicos de acordo com as funções destes instrumentos no arranjo.

Micheal Brauer e sua SSL J9000:

SL 9000 J-Series, PDA, Oxford HQ

SL 9000 J-Series, PDA, Oxford HQ

Micheal Brauer usa uma SSL J9000 e divide a soma entre os diferentes grupos da seguinte forma:

No BUS A – Michael Brauer faz um send e return, colocando no chain o compressor de ponte de diodo, chamado 33609 da NEVE, seguido de um Pultec P1A3S, que você pode conhecer melhor neste vídeo.

Neste compressor, Brauer soma tudo com que ele afirma ter mais sustain, como por exemplo a voz, pianos e efeitos. Além disso, as cordas que você escuta na música Viva la Vida também foram processadas por este compressor e por este equalizador.

Neve 33609

Neve 33609

No BUS B – Ele usa um par de Distressors, no modo multimono – que significa “não linkados”, com cada um dos Distressors comprimindo os sinais do L/R separadamente. Além deles, ele também usa um Avalon 737, que também é bem comum em vários estúdios.

Neste BUS B, Brauer soma as percussões, baterias em geral e o baixo. Ele procura usar o Distressor com o release mais rápido o possível, mantendo sua distorção harmônica razoável com um modo deste compressor chamado “Nuke Mode”.

O resultado é aquele “chuc-chuck-chuck” que você escuta, por exemplo, na música Violet Hill.

Avalon 737

Cold Avalon 737

No BUS C – Ele usa o Pendulum Audio ES8, que é um compressor valvulado com opções de release mais rápidas e com uma distorção harmônica bonita e mais moderna para os médios. Uma ótima opção, que se assemelha com o Fairchild, só que com releases mais rápidos.

As guitarras são enviadas para o pendulum áudio. Desde violões de aço e violões de nylon, as guitarras distorcidas (como as do Dream Theater, que também tiveram mixagens feitas pelo Brauer), costumam ir para esse BUS.

Pendulum Audio ES8

Pendulum Audio ES8

No BUS D – Brauer usa um Edward The Compressor, imitando um compressor do tipo FET, com um stereo widener que ele gosta muito.

Geralmente esse compressor do BUS D recebe backing vocals e, as vezes, sends de efeitos como reverbs e delays que, além de sair pelo A, vão também para o D.

Edward The Compressor

Edward The Compressor

Vocal Chain de Michael Brauer:

Para o processamento das vozes, Michael Brauer usa a técnica de multibus com outros compressores, somando as vozes de volta e balanceando todos os sinais com o não processado, para então somá-los no mix bus A novamente.

Os compressores para os quais os sinal vai são:

  1. Federal – Com o Federal dando mais distorção harmônica e crunch, com uma compressão de ataque rápido e com um ratio alto. O efeito é uma sensação de mais profundidade com “mais ar”;  
  2. Gates – Mais suavidade em médio-agudos e profundidade;
  3. Fairchild 666 – Knee suave e o médio-agudo dos Fairchilds;
  4. Blue UREI 1176 – Agressividade e urgência com os dois modos de ratio selecionados, o 4 e o 20;
  5. Distressor – Também em Nuke Mode, com uma distorção harmônica razoável.
Fairchild 666

Fairchild 666

Blue UREI 1176

Blue UREI 1176

Distressor

Distressor

Então, ele usa a soma dos returns destes processadores indo para o “A”, junto com os efeitos. Isto dá uma profundidade diferente para a voz, com as diferentes cores de cada compressor. Se você quer saber mais sobre essa técnica, nós fizemos um vídeo onde eu mostro como usei uma estrutura semelhante neste outro vídeo.

Outra coisa muito característica deste álbum é o uso do Delay Binson, assinatura das guitarras. Além de outros efeitos importantes, como os reverbs Lexicon PCM42, também usado nas guitarras, e o Lexicon PCM81 nos vocais.

Lexicon PCM42

Lexicon PCM42

Lexicon PCM81

Lexicon PCM81

CURIOSIDADE: O vocalista Chris pediu um efeito não tão linear nos seus vocais, tendo mais “atitude” na mixiagem da música Violet Hill. Foi então que Michael Brauer colocou o reverb AMS, que é um reverb não linear.

Na época, Michael Brauer não usava muitos plugins e mixava praticamente somente com equipamentos analógicos. Hoje, Michael Brauer realizar mixagens híbridas utilizando o seu “Braureize” em um sistema analógico porém, cada vez mais inserindo plugins em seu chain.

Qual será o próximo Grade Álbum?

Okk, pessoal! Por hoje é isso. Foi um prazer fazer esta primeira apresentação da nossa pesquisa para vocês. Se vocês tiverem sugestões de álbuns para continuar esta playlist, é só comentar lá no vídeo do Youtube ou em nosso grupo no Facebook!

Se tiverem alguma dúvida ou sugestão, só falar e não deixem de compartilhar!

Um abraço,

Leonardo Hammes

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